Sobre o Titular

Getulio Ponce Dias

SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DE MINHA MANEIRA DE VER O MUNDO,
EVOLUÇÃO DAS ABORDAGENS PROFISSIONAIS,
ABSORÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE TÉCNICAS PARA INTERVENÇÕES

Pós-Graduado pela SPRGS em Dinâmica de Grupo; MBA Internacional pela USP-FIA, com extensões na Vanderbilt University (USA); Tongji University, LIngnan University College, East China Normal University (China) e MDI Gurgaon - Management Development Institute (India).

Psicólogo (CRP 06/27642-2) e Advogado (OAB/SP 228873)

Linha do Tempo

  • 1940 - 1950
  • 1950 - 1960
  • 1960 - 1970
  • 1970 - 1980
  • 1980 - 1990
  • 1990 - 2000
  • 2000 - 2010
  • 2010-2019
  • A introjeção de valores e formação do caráter

    Sou o segundo de seis filhos. Minha irmã mais velha, Enilda Ponce Dias, depois Enilda Zimmermann, nasceu dois anos e meio antes. E o último irmão Luiz Carlos Cruz Pacheco, adotado, nasceu em fevereiro de 1957.

    Meu pai, Armando de Oliveira Couto Dias, trabalhava em contabilidade no frigorífico da Swift e, depois, como eletrotécnico formado através de cursos por correspondência (o que hoje seria classificado como EAD). Minha mãe, Ignez Ponce Dias, dona de casa.

    Ambos instrumentistas amadores, ele tocando violino e ela piano. Quase sempre focados em música erudita. Sempre voltados para o novo, me obrigando a experimentar tudo o que fosse possível, em particular comidas. Constantemente escutei: se não gostar não gostou mas se não experimentar nunca vai saber e evoluir!

    Sou neto de dois avós portugueses, um espanhol e outra brasileira. Esta última com família emigrada desde a Bahia, BR. Nasci em Rio Grande, RS, em 13/06/1940, quando minha família residia na Rua 19 de Fevereiro, a meia quadra da Praça Tamandaré que era palco de manifestações e comícios políticos. Tão a moda na época.

    Por outro lado, nessa rua de uma quadra só, moravam uma alemã, Vovó Pudindi (Leopoldina), com acompanhante vindo da colônia alemã de Morro Redondo, então município de Pelotas, Olga. E outra alemã no final da rua tia Baby, filha de Vovó Pudindi. Suas empregadas domésticas também vindas da mesma região. Todas brancas, e quase sempre loiras, de olhos azuis.

    Aos 7 anos, minha família mudou-se para outro extremo da cidade, na Rua Conde de Porto Alegre, para uma casa presenteada por meu avô paterno.

    Minha mãe sofria de asma, por isto ficava por longos períodos na cama e numa dessas vezes, com cerca de cinco anos, foi preciso que eu fosse preparar arroz para a família. Passada a receita preparei o arroz… mas não me avisaram que o arroz deveria ser lavado.

    Isto serviu para chacota por muitos anos – bullying – a respeito de minhas habilidades culinárias. E, lembremos,  naquele tempo o arroz era disponibilizado apenas em sacos de 50 kg, em juta, e vendido a granel nos armazéns.

    Aguentei por anos esta e outras gozações, em silêncio, o que me desenvolveu uma marca: até hoje me atrevo a cozinhar pratos crioulos, a  maioria com base em arroz, como paella, carreteiro, arroz de bacalhau, arroz de braga e outros. Mas quando cometo erros não falo nada: o erro fica por conta de um diferencial na receita…

    Merece registro a convivência que meu pai, já como eletrotécnico, me proporcionou dentro da vila residencial da Swift, na área de seu porto exclusivo: a beleza estética das casas em meio a jardins. Tudo era diferente do restante da cidade e – principalmente – a estrutura operacional dos casais e filhos, onde os homens e crianças ficavam cortando a grama e fazendo pequenos reparos nos jardins e na casa. Enquanto as mulheres cuidavam da cozinha e dos filhos. Depois, os dois dividiam a limpeza na cozinha.

    Este modelo teve e tem até hoje forte influência na minha configuração familiar, especialmente reforçada pelo tempo em que eu e minha atual esposa, Vera, vivemos em Atlanta, nos EUA. Alugamos ali parte de uma casa, em bairro que em muito se assemelhava a Vila Residencial da Swift.

    Pois foi neste ambiente que vivi minha infância e parte da adolescência, até os 16 anos. Sempre em meio a descendentes de alemães – particularmente famílias Emil e Martensen – e portugueses que cultivavam música erudita, literatura e filosofia.

    E ainda interagi com os blackouts na cidade, durante a segunda guerra mundial, como medida preventiva de possíveis ataques marítimos por parte de alemães aos molhes da barra. Desses blackouts, lembro de quando íamos brincar na praça, no escuro. Depois de, durante o dia, minha irmã levar panelinhas de alumínio, de brinquedo, para doar metais para o Brasil. Havia uma pilha deles no meio da praça.

    E também lembro das noites em que meu pai ficava tentando captar mensagens de rádio inimigas em equipamentos desenvolvidos por ele mesmo. Ele era rádio-amador, prefixo PY3HL.

    Fui alfabetizado em casa, por minha madrinha Elly Emil de Abreu. Tia Elly, como era mais conhecida, também era madrinha de minha mãe. Ignez foi acolhida pela mãe de Tia Elly, Vovó Ema (Emil de Abreu), quando ficou órfã de mãe. Isto porque, na época, Tia Elly e seu irmão Gustavo – o padrinhos dela – eram adolescentes.

    Mas meu processo de alfabetização aconteceu ao natural: Tia Elly, que também alfabetizara minha irmã Enilda, ficava fazendo exercícios com ela enquanto eu ficava olhando e desenhando garatujas.  Só que… um dia alguém olhou as garatujas de ponta cabeça e descobriu que eu fazia as mesmas tarefas de minha irmã… de ponta-cabeça!

    Na sequência estudei o curso primário no Grupo Escolar Juvenal Muller e como cheguei na escola já alfabetizado, colocaram-me em classes acima de minha idade, considerada adequada pelas escolas de então.  Assim, pulei direto do primeiro para o terceiro ano primário. Cursei o terceiro com alguma dificuldade, mas tirei o primeiro lugar (era rotina, na época, a classificação) no quarto ano e segundo no quinto.

    Depois, fiz o exame de admissão, fui aprovado e entrei no ginásio com dez anos.

    Um destaque: a cidade de Rio Grande oferecia a quinta maior biblioteca do Brasil, nos anos 1950, e desde cedo aprendi a olhar, por curiosidade, o que continha!

    E por natural influência do ambiente familiar também estudei piano e teoria musical, até o 4º ano.

    Em 1949-1950 meu pai, Armando, construiu transmissores e comprou gravadores (inicialmente em arame e depois em fitas) para apoiar a campanha do Ele Voltará (Getulio Dornelles Vargas para Presidente da República).  Eu o acompanhei no clima, no entusiasmo, em algumas viagens e em muitos comícios.

    Essas atividades me desenvolveram uma percepção e visão do mundo social e político, com forte viés ideológico, dito de esquerda. Mas com formato mais voltado para populismo.

    Por outro lado, convivia com um contraponto político, na venda do Sr. Augusto, na esquina da casa da família, na Rua Conde de Porto Alegre com rua Coronel Sampaio. Nesse negócio, onde se comercializava de quase tudo, havia um fórum informal no balcão da cachaça com Underberg, onde aconteciam animados debates políticos entre estivadores do porto e – especialmente – o Sr. Rui Silveira, algumas vezes qualificado como integralista. Eu nunca soube se era verdade ou não.

    E outro detalhe: como estes estivadores eram homens robustos – claro – e eu era franzino e baixinho, associei aquela aparência ao costume deles tomarem Underberg, o que teria, anos mais tarde, influência em seus hábitos alcoólicos.

    Ainda nesse ano,  de 1950, nasceu meu próximo irmão, Gilberto, com dez anos de diferença, portanto. Na  configuração da família Ponce Dias isto viria a ter grande influência na próxima etapa de minha  vida. Afinal, aprendi desde quando escutava a voz de Meu pai, a seguinte frase: meu filho, és o homem da casa!

    Quais marcas foram consolidadas no ciclo 1940-1950?

    • Que é fundamental a solidez do caráter, como patrimônio individual, familiar e da hierarquia. Hierarquia esta que incorpora valores de uma cultura, mas que é – em qualquer circunstância – uma manifestação da natureza.
    • Que gostemos ou não, a política é o condicionador de nossas vidas cotidianas.
    • Que aquilo que é do governo não tem dono (infelizmente…).
    • Que políticos são regidos por leis próprias, diferentes das do cidadão comum (infelizmente…).
    • Que se trabalha por ideal, prioritariamente.
    • Que palavra dada se cumpre, incondicionalmente.
    • Que é preciso experimentar para formar juízo próprio.
    • Que os pobres precisam de nossa ajuda e compaixão.
    • Que ao se aguentar gozação (ou bullying?) em silêncio, se aprende muito.
    • Que arroz se lava, antes de preparar. E mais útil: que conhecimentos deixam de ter significado e utilidade com o tempo, visto que anos mais tarde o arroz não mais viria em saco de juta para venda a granel, mas em saco plástico devidamente higienizado…
  • A percepção do mundo social, político e a estruturação dos sonhos profissionais e pessoais.

    A convivência citada, com os descendentes de alemães e portugueses, seria uma marca que permaneceria por toda a minha vida. Tanto em preferências para lazer quanto – especialmente – para orientação de turismo cultural.

    Iniciei o ginásio no Colégio Estadual Lemos Jr, que abandonei no terceiro ano, após ser reprovado em todas as matérias. Menos Canto Orfeônico.

    Naquele tempo havia um ritual de passagem aceito socialmente, no Lemos Jr: um corredor polonês (não se  sabe a razão, mas era assim qualificado socialmente) ou cabaré da guampa, como era referido pelos alunos. Ele consistia em os alunos do primeiro ano de ginásio, usando uniforme com calças curtas e apenas um cinto com fivela de metal – tipo escoteiros – passarem sob uma fileira de alunos do segundo grau que, com calças compridas, cintos e talabartes na mão faziam duas colunas, surrando os novatos. Um de seus líderes, José Antonio Martinez, vulgo Bodinho, viria me encontrar, como cliente, anos mais tarde em parceria muito construtiva.

    A diferença foi que o ritual, para mim, se repetiria ao longo de quase três anos: a cada vez que minha madrinha, Elly de Abreu, colocava uma nota baixa para um adolescente do segundo grau o ritual era repetido privativamente.  Elly era professora de Canto Orfeônico, o que – na época – podia reprovar um aluno por um ano inteiro. Assim, a consequência era que fui submetido a constantes sessões de bullying, principalmente físicos, durante os três anos em que tentei cursar o ginásio.

    Incapaz de reagir fisicamente aos constantes ataques, porque era muito franzino, baixinho e usava calças curtas, fui desenvolvendo uma característica que reforçaria a vivência de ter preparado arroz sem lavar a matéria-prima: a capacidade de resiliência e de saídas intelectuais diante de situações adversas. E isto marcaria as  características profissionais que fui desenvolvendo ao longo de minha carreira.

    Por outro lado, eu não denunciava o grupo porque oscilava entre o medo de sofrer represálias mais pesadas, na rua, e também porque – claro – sonhava chegar ao segundo grau e pertencer aquele grupo.

    E dentro da classe, florescia uma amizade com Leôncio Gonçalves Filho que se  anteria ao longo de toda a minha vida. Apesar de, após reencontros e desencontros, incluindo distanciamento geográfico, permanecer sempre ativa.

    Em 1952 nasceu minha irmã, Elaine. A assunção deste novo desafio, por Enilda e Eu, já foi limitada, mas Elaine também teria grande influência na trajetória que percorre até hoje, com forte vínculo afetivo entre nós.  Especialmente porque ela, na adolescência, morou com a família Almeida Dias, durante três anos, em Novo Hamburgo, RS.

    Assim, entre 1950 e 1953 eu e minha irmã Enilda, dividíamos algumas das principais tarefas de alimentação e higiene dos irmãos Gilberto e Elaine.

    Durante estes 1952 e 1953, ainda trabalhei informalmente na loja-oficina de seu pai, na Rua Conde de Porto Alegre 292, em Rio Grande. Cobria as ausências dele no atendimento de balcão e fazia a cobrança de serviços prestados, perante clientes, em diferentes pontos da cidade. Ele e minha mãe, sempre foram muito dispostos a usar novas tecnologias, por isso ela já usava em casa fogareiros Primos de duas bocas, com regulagens individuais enquanto ele dispunha de gravador de som em arame, logo substituído por fitas… estereofônicos. Marca AEG-Telefunken.

    Tudo, claro, contrabandeado dos navios que aportavam ao porto de Rio Grande para receber manutenção nos equipamentos eletrônicos.

    Mas em contrapartida, eu pude conviver com um exemplo de resistência ao novo: meu tio Paulo, que ficara rico, instalou um telefone automático na casa em que residiam, com minha avó Marieta, quando na cidade só havia 999 aparelhos destes.

    Pois bem, eu fui todo contente conhecer o aparelho e a felicidade (imaginava…) de minha avó, quando escutei dela: Não sei para que esta droga. Agora as pessoas não mais falar olho-no-olho. Não vão atravessar a rua para conversar. Ficarão escondidas atrás deste aparelho…

    Cabe deste período destacar que na segunda série do curso ginasial, o professor de geografia ensinou a respeito das mutações geológicas sofridas pela terra até chegar a configuração atual. E destacou que a tendência seria o descongelamento dos polos, resultando no desaparecimento do Rio de Janeiro e Recife…

    A revista O Cruzeiro, então leitura cotidiana com muitas fotos, sempre mostravam o glamour e poder dessas cidades, especialmente o Rio de Janeiro. Isto foi o suficiente para eu perder o sono naquela noite, imaginando tudo aquilo submerso!

    Enquanto eu repetia a terceira série do antigo curso ginasial, em 1954, fui certificado no curso de técnicas comerciais e contábeis pela Escola de Comércio Floriano Beirão, em Rio Grande.

    Esta escola formava profissionais para atuar em todas as áreas de um back office, desde a Financeira, passando pelo Departamento de Pessoal até a Administração de Vendas. Em termos de conteúdo, equivaleria – hoje – a um curso de formação de Administradores.

    Como a segunda reprovação me impedia de continuar no Lemos Junior, iniciei minhas atividades profissionais – formais – como auxiliar de escritório, na Empresa Wigg S/A, em Rio Grande.

    Essa Empresa atuava no ramo de Agência de Navegação, Loja de Móveis e Eletrodomésticos, Importadora e Distribuidora de produtos que abrangiam de manzanas y duraznos de Mendoza a aguardente Marumby, Cerveja Cairu, Cimento Tupi. Até incluir automóveis e caminhões Ford. Além de manter uma indústria de pescados com o nome do criador, Wigg. Mister Vivian Wigg.

    Mister Wigg como era chamado, além de empresário, acumulava as funções de cônsul da Inglaterra na cidade de Rio Grande. Seu sócio, Ernesto Guardiola Velloso e sua família, viriam a ter influência na minha trajetória.

    Por outro lado, quem geria os negócios não cobertos pela Agência de Navegação era meu tio, Paulo Pereira. O modelo de gestão aplicado por Paulo Pereira, especialmente na programação de atividades e em sua capacidade de separar o pessoal do profissional, me produziram outra marca, que permanece até hoje.

    Na Wigg S.A. iniciei reclassificando maçãs dentro de câmaras frigoríficas (mesmo!), evolui e desempenhei funções nas áreas de controle de estoque (4.600 itens com fichas amarelas, pré Kardex), administração de vendas, suporte a varejo e contabilidade.  E também fiz amizades que teriam influência em minha trajetória, especialmente Mário Ferreira Porto.

    Outra forte influência que recebi foi de outro tio, Dorval Gonçalves. Tio Dorval morava na melhor casa da família, também recebida como presente de meu avô, Ele estruturava, montava e mantinha tudo, pessoalmente, da instalação de uma pia, a reforma do motor de seu Anglia, até a pintura da casa toda.

    Em agosto de 1956 nasceu meu quinto irmão, Nelson.  Daí que, em janeiro de 1957 emigrei para Porto Alegre.

    Os motivos, inconscientes dessa decisão, só foram identificados e assumidos décadas depois, em processo analítico a que me submeti com Maria de Mello Azevedo. Uma – que considero a principal – de minhas terapeutas.

    Neste ano retomei o curso ginasial no Colégio Venezuela, em Porto Alegre, enquanto trabalhava na contabilidade de Motobrás S/A,  Empresa que tinha entre os sócios principais a família Velloso e que atuava na importação de máquinas industriais, especialmente de panificação.

    Certa feita, depois de uma noitada de música, dormi sobre a mesa de trabalho durante o expediente e acordei às 20h com carta de suspensão ao lado da máquina de escrever adaptada para elaboração do livro diário, assinada pela Sra. Julieta Velloso.

    Da. Julieta, como era conhecida na matriz e nas filiais de Pelotas e Porto Alegre, era considerada o terror. Hoje percebo que a imagem decorria de sua forma direta em  decidir e – principalmente – executar e exigir execução. Afinal, eu nunca a encontrei destratando ou desrespeitando alguém!

    Mas, com vergonha diante da suspensão, me demiti. Com a ajuda de Aldo Dias Rosa, ícone na cidade de Porto Alegre no meio empresarial e esportivo, amigo de infância de seu pai, fui logo colocado como responsável pelo PCP da reprocessadora de óleos lubrificantes, Irmãos Johnstone Ltda, marca Refinoil.

    Algum tempo depois, recebi um convite de meu cunhado, Zalmino Zimmermann, advogado e radialista, para me demitir da Refinoil e montar um negócio com ele. Ele se casara com minha irmã, Enilda, alguns meses antes.  Fi-lo e como o negócio não deu certo, ainda trabalhei um tempo no escritório de advocacia que ele mantinha com um sócio. Ali desenvolvi habilidades na estruturação e formatação de procurações, contratos, petições e contestações. Mas nem eu nem meu cunhado conseguimos nos viabilizar financeiramente.

    Além disto, o trabalho com o meu cunhado era sem carteira assinada porque eu estava prestes a entrar para o serviço militar.  Fui então compelido a retornar a Rio Grande em 1958, por exigências deste serviço militar, mas deixei uma namorada em Porto Alegre, Jussara Moraes de Almeida. Nós nos conhecemos na juventude espírita do Centro Espírita Atheneu, cujo orientador era Zalmino.

    Em Rio Grande, novamente retornei ao Lemos Jr, então na quarta série. Completei assim o curso ginasial laureado com o primeiro lugar entre os homens (embora a classe fosse mista, as notas eram separadas entre homens e mulheres). O primeiro lugar, feminino, com notas muito acima das minhas, foi de minha amiga Ana Maria Castelã, cujo pai, por mera coincidência, trabalhava com Aldo Dias Rosa em Porto Alegre. Esse período reforçou minhas ligações com a área política porque meu professor de Português, Dilermando Motta – advogado renomado na cidade – obrigava os alunos a irem assistir os comícios no coreto da Praça Tamandaré para depois, em aula, analisar sintaxe etc. Infelizmente ele não destacava a parte simbólica do discurso!

    Eu tinha medo de ir para o quartel por tudo o que se falava nas ruas. Assim, por influência de meu pai, Masson, consegui ficar em reserva para, no segundo ano de convocação, a partir da primeira seleção, receber o certificado de 3ª categoria.  Tratava-se de um rótulo não muito lisonjeiro, como o próprio número sugere, mas para quem já decidira que seu caminho prioritário seria o intelectual isto não teve importância.

    De posse do certificado de reservista, mesmo de 3ª categoria, fiz teste e fui aprovado para posição de escriturário no Banco da Lavoura de Minas Gerais S/A (depois Banco Real, depois ABN e agora Santander), agência de Rio Grande. Trabalhei ali de 1959 a 1961, devorando todo aprendizado que me propiciaram, devidamente registrado em uma Caderneta de Treinamento, criada pelo então Diretor de RH do Banco: Pierre Weill!

    O desafio no Banco da Lavoura era fascinante, porque esse banco foi pioneiro em pagar a folha de pagamento dos professores: a listagem de valores líquidos, datilografada, chegava a agência por volta de 16h de determinado dia e se iniciava uma datilografação intensiva para fazer lançamento por lançamento, que depois seriam lançados em fichas individuais e, sobre papel carbono, no livro diário. Algumas vezes se avançava pela madrugada porque – nem pensar – abrir a agência sem estar com tudo pronto para receber os professores e ensiná-los a preencher cheques. Isto desmoralizaria a tese…

    No Banco da Lavoura, voltei a me encontrar com Mário Ferreira Porto. Nessa época eu me engracei por uma guria em Rio Grande, carinhosamente chamada de Polaca, Alda Maria Poester. Vizinha de uma namorada de Mario, Carmem Lúcia, quando passamos a conviver com mais intimidade ainda.

    Mas Mário, anos mais tarde se assumiu gay. Ele e Ivan Tavares, já assumido desde a adolescência, amigo e companheiro de juventude intelectualizada, liam muito e formaram um grupo com forte influência nas minhas ideias filosóficas a respeito de existencialismo e marxismo.   Aos finais de semana costumávamos nos reunir com um grupo também intelectualizado, liderado por Lauro Cerqueira de Carvalho, então um publicitário (raro, na época), destacado na cidade.

    De Lauro aprendi uma lição, quando me expressou seu sentimento de que eu não tinha sorte: sorte, afirmou ele, é estares na parada do bonde na hora em que ele vai passar. Isto porque jamais ele sairá dos trilhos para te encontrar. Naqueles anos Rio Grande ainda tinha bondes trafegando pela cidade e esta referência serve de marca até hoje nas minhas expectativas e  sonhos.

    Ainda nesse período, iniciei o científico (hoje 2º grau) no mesmo Colégio Lemos Junior, então no turno da noite. Meu objetivo era estudar engenharia civil.

    Estruturando sonhos e alimentando desejos, em torno de 1958 assisti ao filme da história de Frederic Chopin. Fiquei impressionado e sonhando em encontrar uma mulher como George Sand, apesar de – na época – muitos a classificarem como sapatão (hoje lésbica). A história demonstrou que a opção dela era hétero e que apenas era uma mulher fora de seu tempo.

    Esta idealização, de modelo de mulher, combinada com a admiração pelo modelo de configuração familiar observado nos gringos na Vila Residencial da Swift, foram decisivos – décadas mais tarde – na escolha de minha segunda esposa e na forma de vida que mantemos.

    Registre-se ainda que meus sonhos profissionais de criança, eram dirigir ônibus e ser estradeiro (engenharia civil). Dirigir ônibus consegui com ajuda de meu irmão Nelson, que teve uma empresa de turismo. Estradeiro não consegui, mas anos depois acumulei  muita experiência na construção de moradias.

    Em meio a todos estes acontecimentos, lembro que deixara namorada em Porto Alegre, Jussara Moraes de Almeida. Ela recebia muito apoio da minha família e um pouco da dela. Ambas por serem espíritas.

    Este pouco apoio da família de Jussara era porque o Banco da Lavoura pagava salários baixos e naquele tempo se pensava em casar ou desmanchar o namoro quando o padrão do pretendente não correspondesse à expectativa da família da noiva.

    Embora o núcleo familiar dela estivesse em processo de decadência econômica, parte de sua família vinha de um modelo de aristocracia rural, de Mato Grosso, o que criava altas expectativas em termos de padrão capaz de um genro manter.  A mãe dela chegou a levá-la para festas em Campo Grande, MT, hoje MS. Na expectativa de que encontrasse um pretendente melhor.

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 1950-1960?

    • Que diante de inovações, transformações tecnológicas ou de uso, o melhor é aderirmos logo a elas. Fica mais fácil o futuro.
    • Que se deve recomeçar tantas vezes quanto necessário, rumo a um objetivo maior. No caso, rumo a uma atividade intelectual.
    • Que é mais construtivo explicitar posições e tomar decisões sem receio dos efeitos típicos da cultura latina: suscetibilidade e produção de mágoas, subjetivas.
    • Que vivemos melhor, ao não transferir questões relacionadas ao ambiente de trabalho para o lado pessoal. Eu internalizara o modelo de Paulo Pereira e a convivência com Julieta Velloso. Em paralelo e com a postura dos Irmãos Johnstone consolidei um modelo que teria grande influência em minha carreira de Consultor, décadas mais tarde.
    • Que a terra se transformaria e, um dia, o ambiente humano não existiria como o conhecíamos. E lembremos que ainda não se usavam palavras tipo sustentabilidade, efeito estufa etc.
    • Que o que décadas mais tarde seria rotulado como diversidade (convivência próxima com negros e homossexuais, por exemplo) era algo comum, do dia-a-dia. Incorporei como variáveis cotidianas, pelas atitudes de meus pais, especialmente por recebê-los naturalmente em nossa casa.
    • Que criei fortes vínculos com a música erudita e que poderia aprender espanhol cantando tangos.
    • Que criei um modelo de mulher para mim: independente social e economicamente, mas dedicada e com muito amor na relação, somente.
    • Que a vida só faz sentido se corremos riscos!
    • Que a sorte só ajuda quem está na parada do bonde. (Lauro Cerqueira de Carvalho).

     

  • A conquista da autonomia social, profissional e econômica

    A carreira no Banco da Lavoura tendia então a uma trajetória longa e limitada financeiramente, por isto no primeiro semestre de 1961, decidi procurar alternativas: fiz concurso para  o quadro de auxiliares do Banco do Brasil.

    Eram três matérias e a média das notas definia a classificação: português, matemática e datilografia. Somei 84 pontos na média, o que não me garantiu nomeação para Pelotas ou Rio Grande, objeto de desejo na época. Mas fui nomeado de imediato para a cidade de Arroio Grande, RS.

    Esta nomeação garantiu uma festa na rua onde morávamos, Conde de Porto Alegre n° 69, em Rio Grande e… o consequente meu noivado com Jussara. Nesse momento, já com certo grau de beneplácito da família dela porque – afinal – funcionário do BB não era qualquer coisa!

    Arroio Grande, berço de Irineu Evangelista de Souza – o Barão de Mauá – em 1961 não possuía sequer uma rua calçada e a luz elétrica era desligada às 19h. Exceto quando havia velório.  As famílias que tinha refrigerador era, em geral, Consul a querosene!

    Esta cidade se situa a cerca 30 km da cidade uruguaia de Rio Branco (Jaguarão no Brasil), cerca de 30 km de Pedro Osório e 100 km de Pelotas. Tudo, na época, em estrada de chão que ficava interrompida a qualquer evento pluviométrico um pouco mais intenso. E dessa estrada se dependia a chegada de frutas e legumes em geral.

    A agência do Banco do Brasil estava instalada em um prédio inacabado e os móveis eram todos improvisados porque dependiam do setor de compras do Banco, no Rio de Janeiro.

    Deveria ter assumido a função no Banco do Brasil no começo de agosto, mas com o clima político social, que resultou na renúncia de Jânio Quadros, minha admissão só ocorreu em 06.10.1961.

    No Banco do Brasil, ainda em Arroio Grande, iniciei minhas atividades no Conta Corrente. Os lançamentos ainda eram feitos a mão, o que se constituía em um problema por causa da minha letra, ilegível até hoje. Comparado ao sistema mecânico do Banco da Lavoura, voltei à idade da pedra, por isso ficava procurando criar alternativas.

    Mas como nem sempre as alternativas que eu produzia no Banco davam certo, em dado momento o subgerente – meu superior imediato, Sr. André da Silva Notari, me chamou e com o dedo apontado para meus olhos enfatizou: sabe qual é o seu problema, Sr. Getulio? O senhor pensa demais! Foram precisos outros muitos anos para que o impacto desta cena se transformasse em uma percepção de elogio. Mesmo não sendo para aquela realidade.

    Mas o emprego era estável e então fiz o que era padrão na época: marcamos, Jussara e Eu, o casamento para 30.12.1961.

    Era o período pré-hippie e se considerava retrógado fazer festa de casamento nos moldes tradicionais, como se voltou a fazer depois dos anos 1990. Em vista disto, a cerimônia foi simples, com a família dela e os padrinhos, apenas. Logo seguimos em lua de mel para Pelotas e Praia do Laranjal. Por gentileza do tio Dorval e tia Maria. Quando, adiante, chegamos a Rko Grande houve uma festa discreta, organizada por minha família.

    Jussara introduziu um novo referencial em termos de higiene, na família Ponce Dias. Referencial este que se manteria ao longo de nossa trajetória em conjunto, em todos os habitats.

    E com meu sonho de mulher independente, fui o primeiro funcionário a abrir conta salário conjunta com a esposa. Sentia-me orgulhoso dela pagar contas e assinar cheques, mesmo que a fonte de renda fosse apenas a minha. Adiante, foram precisos muitos anos de vida e de análise para perceber que o sonho era somente meu…

    Na agência do Banco do Brasil fui então transferido de setor, para trabalhar na CREAI (Carteira de Crédito Agrícola e industrial), como subordinado de Américo Valina Vazquez. Sr. Américo, como era chamado. Mais tarde ele veio a se  tornar meu amigo, incluindo sua esposa Corina e os filhos Américo, Pedro e, em particular a filha, também Corina.

    Na CREAI fiquei responsável pela negociação das garantias, estruturação e redação dos contratos para investimentos e financiamento de projetos agrícolas: compra de máquinas,  financiamento das safras de arroz, predominantemente, etc.. Pratiquei esta atividade por mais de cem vezes ao longo de cerca de três anos!

    Em 1963 nasceu meu primeiro filho, Sérgio Almeida Dias. Havia grande expectativa porque nessa época não se sabia o sexo antes do nascimento. Eu não portava grande preferência por homem ou mulher, mas havia certa pressão familiar para que fosse homem. Isto porque, naquele tempo, como hoje ainda em grande parte dos lares, se pressupunha que o progenitor deveria cuidar da família.

    Sérgio nasceu na madrugada de quatro de abril quando saí pelas ruas, então desertas, de Arroio Grande à cata de alguém para contar e dividir a felicidade, mas não encontrei ninguém. Só mais tarde, depois de 7h…

    Em Arroio Grande não havia escolas do que atualmente se denomina segundo grau, o que me dava uma sensação de perda de tempo em termos de minhas expectativas intelectuais

    Tratei então de me ocupar, nas horas vagas, com venda de eletrodomésticos, especialmente som e TV (que não recebia sinal na cidade…) para empresa ligada por laços de família a meu antigo empregador, em Rio Grande, Wigg SA: a Barutot Velloso & Cia Ltda., distribuidora da marca Philips, com suporte técnico de seu pai, Armando.  Depois com venda de sementes e fertilizantes, de outros fornecedores.

    Mas eu participava – também – ativamente de movimentos sindicais, em especial grevistas, principalmente para entrarmos em greve em dias pré-feriadões. 

    Como 90% dos funcionários da agência eram oriundos de cidades distantes, isto facilitava o alinhamento aos movimentos, viabilizando encontro com as respectivas famílias distantes.

    Nessa condição, representei o grupo de bancários de Arroio Grande nas atividades durante as greves, particularmente no Sindicato dos Bancários do RS. Este sindicato mantinha uma  ampla sede nos altos do Cinema Cacique, na Rua dos Andradas, em Porto Alegre onde, nestes períodos, mantinham música ao vivo durante as tardes e parte da noite. Ofereciam cuba libre ou Pepsi Cola grátis.

    E quem pagava? Os banqueiros que em acordo com os líderes sindicais fomentavam a greve. Os banqueiros para pressionar o governo na liberação dos empréstimos compulsórios (uma aberração brasileira) e o sindicato para parecer que obteve grandes aumentos para a categoria. Quando eu soube disso minha cabeça deu meia volta! 

    Ainda antes de abril de 1964, meu cunhado, Zalmino Zimmermann, foi nomeado Juiz para a comarca de Arroio Grande, transferindo-se com esposa e com seus então três filhos. Nesta cidade Zalmino liderou um grupo de investidores, numa tentativa de criação de um Hotel, o que não conseguiram viabilizar.

    E então chegou ao Banco do Brasil o movimento de 1964. Mesmo tendo sido criado sob forte influência das ideias políticas de esquerda, ou populistas, eu escutava diariamente a Rádio Guaíba de Porto Alegre, especialmente os comentários/doutrina de Arlindo Pasqualini. Alinhei-me então aos que classificaram de absurdo a estatização – nada mais nada menos – da Ipiranga e da Varig, decretadas nos primeiros meses daquele ano por João Goulart.

    Registre-se também que, na minha família, havia um forte vínculo com o fundador da Ypiranga, Dr. Bastos, para quem meu pai prestava serviços continuados em eletrotécnica. Além disto, trabalhar na Ipiranga era o sonho de qualquer letrado na cidade de Rio Grande.

    Com a Varig, o vínculo decorria da frustração pelo fim da SAVAG, cujo proprietário, Comandante Kramer, morreu em acidente aéreo com Fernando Ferrari, então candidato independente a Vice Presidente da República, quando os dois se dirigiam para um comício no norte do RS.

    Fernando Ferrari era chamado de candidato de mãos limpas, por ser o único que não estava vinculado à velha política e seus políticos corruptos que dominavam o poder! 

    Com minhas características, idealismo e engajamento político, trabalhei ativamente para esse candidato e o impacto emocional com a perda foi significativo. Além do bairrismo de possuir uma Cia. Aérea (dois aviões DC3…) em Rio Grande, só restou passar a torcer para a Varig, então uma Companhia Regional. O folclore diz que gaúcho gostava, mesmo, era de cavalo e da Varig, mas eu  nunca fui chegado em cavalos.

    Por estas e outras razões, tornei-me simpatizante do movimento de 31.03.1964, especialmente por acreditar que era um ato de redemocratização. Mas apesar disso, sofri perseguição e ameaças.

    Nos primeiros dias de abril haviam chegado os interventores na Agência de Arroio Grande do Banco do Brasil: o Inspetor (hoje denominado auditor) Schumacher, o gerente Giampaoli e o subgerente, Cezar Socias Shenkel. Só muitos anos após fui perceber que se estas pessoas chegaram logo após 31.3, é porque já havia planejamento para o chamado movimento de 64!

    E no final do primeiro semestre de 1964 meu cunhado já havia sido transferido para outra comarca, mas minha irmã voltou a Arroio Grande e com o discurso de que estavam muito necessitados e só eu poderia ajudar, chantageou-me emocionalmente. Então aceitei cobrar uma nota promissória relacionada ao Hotel que não deu certo, emitida por João de Deus Nunes. Isto teria – também – grande influência no que segue porque este fato foi registrado e depois usado como suporte a punição que recebi no Banco do Brasil.

    Minha filha, Márcia, nasceu em 23 de julho de 1964, no começo da tarde. Foi dupla alegria: por mais um filho e por ser mulher, formando um casal. Era tudo o que eu sonhara, em termos de família.

    E Cezar, que era meu chefe imediato, me  convenceu a não acompanhar Jussara  no hospital, como prevíramos. O argumento dele foi que eu era imprescindível na agência e que ele colocaria sua esposa no Hospital, cuidando de Jussara e Márcia, enquanto minha sogra, Henriqueta Moraes de Almeida, ficava em casa cuidando de Sérgio.

    Aos 24 anos e com muita aspiração, ser reconhecido no Banco e fazer carreira, certamente senti como uma honra. Mas… cerca de trinta dias depois descobri uma variável que se tornaria decisiva no meu futuro: em uma noite trabalhando, sozinho, no Banco, por acaso olhei folhas de papel carbono no lixo que descreviam a transcrição de depoimentos colhidos clandestinamente pela esposa de Cezar, de cada uma das visitas que chegavam ao quarto de Jussara, na Santa Casa de Arroio Grande, RS.

    Não fui o único a ser perseguido. Houve até colega e amigo que depois tentou suicídio.

    Mas essa descoberta produziu um efeito que se mostrou muito positivo: naquele dia decidi me demitir do Banco do Brasil.  Decisão essa que não seria entendida pela maioria dos colegas e que causou espanto em meu meio social. Mas para tanto eu precisava estudar porque não apresentava perfil de empresário e – naquela época – emprego só muitos degraus abaixo do BB. 

    Jussara foi fundamental nesse processo: me apoiou, moral e fisicamente, assumindo mais funções em casa. Estruturamos então novos sonhos e trajetórias para a família Almeida Dias.

    Recebi no Banco do Brasil, a punição de Severa Censura (pré-demissão) o que me impossibilitava a obtenção de transferência para as poucas cidades onde havia faculdades, na época. Ou mesmo alguma promoção nos limites da carreira de auxiliar.

    Assim, dentre as opções de cidades onde existiam escolas regulares, aproveitei a opção de Novo Hamburgo, RS, onde poderia retomar os estudos, completando o curso científico, rumo a faculdade de Engenharia, meu sonho. Cidade então com forte influência da cultura e idioma alemão. Coincidência?

    Era janeiro de 1965,  Novo Hamburgo estava arrasada economicamente, pela quebra de cerca de 70% das grandes fábricas de calçados. Apesar disto, e pela compressão dos salários, os valores de aluguel eram imensos: eu recebia um salário líquido de cerca de $ 1.180,00 dinheiros (no Brasil nunca se tem precisão de qual moeda) e não conseguia casa para alugar por menos de $ 900 dinheiros. Com esposa e dois filhos pequenos!

    Fui então incentivado por colegas do Banco a comprar um chalé (casa de madeira) em bairro de bom nível, mesmo que com ruas sem calçamento. Mas com que dinheiro?

    Pois bem, por razões metafísicas cruzei com uma senhora que havia comprado um chalé do Sr. Fridolino Grams, com um terreno de aproximadamente 10 x 15 m, fraccionado de um lote maior.  Ela tinha uma dívida com Sr. Fridolino que se eu conseguisse transferi-la para mim ela passaria o negócio, que depois envolveria uma prestação de menos de 600 dinheiros mensais.

    Sem experiência em negociações desse tipo, sai a procura do Sr. Fridolino que morava próximo a casa que desejava comprar. Soube então que ele estava veraneando em Picada Café, no município de Nova Petrópolis. E lá me fui, em ônibus da Viação Wendling, de Novo Hamburgo para Nova Petrópolis!

    Chegando em Nova Petrópolis, soube que a tal Picada Café era distante e não havia condução regular para lá. Além disto, a maioria dos habitantes falava um dialeto alemão fluente, com um português que era quase sempre ininteligível. Então, sob o tudo ou nada, contratei um taxista, Sr. Haas.

    E ali outra experiência metafísica: chegando na propriedade do Sr. Fridolino, passei a tentar explicar o motivo de minha estada para assumir a dívida da senhora para quem ele vendera o chalé, com prazo alongado – claro – coincidente com as gratificações semestrais do Banco do Brasil.

    O negócio já estava quase inviabilizado por impossibilidade de comunicação português-alemão quando ocorreu novo fenômeno metafísico: o Sr. Haas, sensibilizado com minha história e argumentos, passou a negociar em meu nome, falando em alemão com o Sr. Fridolino. Resultado: o negócio foi feito.

    Mas o chalé tinha uma construção precária, sem tábuas macheadas (era status na época possuir chalés assim) e sim com muitas ripas reaproveitadas, cobrindo os espaços entre tábuas mas Jussara e Eu  trazíamos móveis de muito bom nível de Arroio Grande. Resultado: assumi pessoal e diretamente, como tio Dorval, a reforma possível em dito chalé, que consistiu em recolocar as ripas e trocar as divisórias de lugar para se adaptarem às medidas de nossos móveis. Marcas Cimo e Contour, grifes da época.

    Em Novo Hamburgo o chalé estava dentro dos limites socialmente aceitos, para um funcionário do Banco. Principalmente porque casa própria era um sonho a se realizar em torno dos 20 anos de banco, através de financiamento da PREVI. Mas perante a família de Jussara era um retrocesso social, de status.

    Logo que mudamos para o chalé vivenciei a primeira experiência cultural, diferente de Rio Grande, Arroio Grande ou Pelotas, onde se esperava tudo do governo: certa tarde de domingo, depois de uma forte chuva de verão, escutamos o barulho de enxadas reparando a rua onde valetas foram reabertas. Jussara e Eu logo expressamos: que prefeitura eficiente… Pois bem, fomos olhar pela janela, para comemorar, e nos deparamos com alguns vizinhos de enxada na mão fazendo o serviço que – imaginávamos – seria atribuição do poder público.

    Meio sem jeito, peguei uma enxada e me alinhei com o grupo. Nunca antes havia feito algo parecido!

    Foi uma fase de adaptação difícil, especialmente nas datas comemorativas das crianças, por causa da família de Jussara. Mas ela foi uma companheira resiliente que suportou as pressões e aos poucos fomos seguindo o rumo decidido ainda em Arroio Grande.

    E tudo com uma mensagem, aos filhos especialmente, do valor e utilidade das novas tecnologias: meu pai desenhou o esquema de um mixer, eu executei e substituímos as tradicionais cartinhas com notícias via fitas k7. Com sobreposições de músicas e vozes. Foi revolucionário e, lamentavelmente, não restou nenhuma dessas fitas ao meio de tantas mudanças de endereço!

    Já em 1966, retomei o curso científico no turno da manhã,  na Escola Marista Colégio São Jacó, junto com adolescentes de classe média e média alta de Novo Hamburgo. Esta escola ficava em frente ao chalé onde morávamos, na Rua Curupaiti, bairro Vila Carioca. Mais tarde ela foi transformada em uma unidade da faculdade FEEVALE.

    Nesse mesmo ano, também por concurso, passei a integrar o quadro de escriturários do Banco do Brasil. Era uma grande promoção, especialmente porque permitia acesso às mais altas carreiras administrativas, no Banco do Brasil e o aumento salarial foi significativo.

    Em 1967,  Fridolino Grams construiu uma casa de alvenaria no restante do terreno, com material reciclado. Vendemos o chalé e compramos essa casa, com entrada e prazo para o saldo. Foi uma significativa ascensão social. Depois, Fridolino arrependeu-se do negócio. Era o período áureo do BNH e cometi o equívoco de tomar o empréstimo nesse Banco para quitar o saldo, com correção das prestações/saldo sob a inflação.

    Mas meu prazer em aprender permanecia ativo e no primeiro semestre deste ano fiz um curso de recrutamento e seleção na Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo, ministrado pelo psicólogo Ney Medeiros. Conscientemente nem imaginava para que isto serviria no Banco do Brasil, onde as chances de uso eram zero.

    Já em 1967, terminando o primeiro semestre do terceiro ano científico, e preparando-me para o vestibular de engenharia, programamos uma viagem,  Jussara, Eu e os Filhos para São Paulo, em ônibus da Viação Minuano, nas férias de julho.

    Embarcamos na estação rodoviária de Novo Hamburgo quando logo percebemos que a máquina de fotografia havia ficado em casa. Na época era peça rara e cara, resultando em rápida decisão entre Jussara e Eu: como eles ficariam hospedados em São Paulo em casa de parentes dela, seguiriam viagem e eu voltaria (estavam a cerca de 15 km distantes da rodoviária de Novo Hamburgo) para buscar a máquina.

    O que seria uma operação um tanto ousada mas sem nada especial, criou uma exposição a nova vivência metafísica: a única opção em ônibus que consegui para retomar a viagem para São Paulo foi de um horário especial, criado para transportar estudantes de psicologia da PUC-RS (então a única faculdade no sul e uma das poucas no Brasil) para um congresso em São Paulo.

    A viagem era de 18 horas. Fica então fácil entender que a escuta inicial dos assuntos discutidos pelas alunas que estavam no ônibus era sobre psicologia. Fiquei sabendo ali bastante do curso que tinha relação com o que aprendi com Ney Medeiros e que o principal pré-requisito para entrar na psicologia da PUC era se submeter a um exame psicotécnico (o vestibular, depois, era apenas classificatório). Psicotécnico este que tinha, entre outros objetivos, barrar o acesso aos portadores da doença homossexualismo!

    Resultado: desembarquei em São Paulo com a decisão de não mais cursar engenharia. Se não que Psicologia.

    Nos primeiros meses do segundo semestre, quando retornei às aulas, renegociei o foco do curso científico na Escola São Jacó e com especial ajuda do orientador da turma, Irmão Armando, consegui acertar prioridades, notas etc. No final de setembro recebi a notícia de que me foi dado o sinal verde para eu prestar o vestibular, pois no psicotécnico estive OK.

    Nesse período já havia feito bom relacionamento com os jovens colegas na classe do São Jacó, praticamente divididos entre os vestibulares de Medicina e Engenharia.

    Mas me transformei em  um peixe fora d’agua no curso científico. Felizmente sem afetar as boas relações pessoais com esses colegas e – principalmente – com os Irmãos Maristas. Com destaque para os Irmão Hugo, diretor, e Irmão Armando, orientador da turma.

    Prestei o vestibular em dezembro, mas não me classifiquei entre o grupo que comporia a turma. Já estava me preparando para uma reciclagem e tentar novamente o vestibular no ano seguinte quando recebi uma convocação para participar de um grupo em Porto Alegre, liderado por uma senhora de nome Marlene. Nesse local ela informou que estava organizando um movimento para que a PUC abrisse nova turma extra para psicologia, em agosto. Neste ano se discutiam muito as políticas de incentivo ao ensino superior como prioridade do movimento de 1964, comandadas pelo então ministro da Educação, o gaúcho Tarso Dutra.

    Ai outra vivência metafísica: em agosto, com mais cerca de 4 dezenas de colegas que não conseguiram a classificação em dezembro, estava admitido na primeira turma semestral da PUC-RS!

    Iniciado o curso, deparei-me com outro obstáculo: como conciliar a faculdade, que iniciava às 14h e se estendia até as 20h, em Porto Alegre,  com os horários no Banco do Brasil em Novo Hamburgo?

    Na agência havia apenas 3 funcionários com curso superior. Um deles era meu chefe imediato, Erno Guido Ullmann, professor na Escola Estadual 25 de julho. Ele sabia dos problemas que eu tivera em 1964 e minha decisão de estudar para sair do Banco, por isso decidiu me ajudar.

    Guido transformou minhas atribuições em tarefa diária: Eu entrava às 6h 30, com Raul, o contínuo responsável pela limpeza e conseguia completar as tarefas até cerca das 11h. Nessa hora a agência já estava funcionando por isto, evitando passar na frente da sala do Gerente eu pulava o balcão, tomava o primeiro ônibus para Porto Alegre e de lá, no centro, outro para a PUC.

    Outro destaque nesse período foi a convivência e absorção da poesia histórica e contemporânea do Brasil, declamada ou cantada. Grande influência teve, nesse processo, Mauro de Moraes, então meu meio cunhado. Passamos muitas noites revendo conteúdos e mensagens de letras correlacionadas ao momento histórico de cada uma. Um exercício que me marcaria quase tanto quanto a interação com os tangos argentinos, na década de 1950-60.

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 1960-1970?

    • Que não adianta esperar por ações governamentais. Quando a população assume, faz acontecer.
    • Que praticar a resiliência que aprendi, quando submetido ao cabaré da guampa, vale sempre, transformando a adversidade em nova oportunidade.
    • Que é preciso sempre aprender e, na medida do possível, abrir o leque para diferentes áreas.
    • Que o valor das poesias e da música romântica como aprendizado histórico e link de relacionamentos/empatias. Especialmente nas culturas latinas.
    • Que o importante não é o que fizeram para ti, se não o que fazes com o que fizeram para ti (J. P. Sartre).

     

  • Adquirindo uma profissão e um título. Aprendendo o que é Organização Empresarial, Social e Política.

    Mas minha alegria de estar cursando Psicologia durou pouco porque logo o Gerente da agência, senhor Policarpo, ficou sabendo que eu pulava o balcão. Chamou-me na sua sala e me olhando firme, sentenciou: ao Banco não interessa que nenhum funcionário estude. O senhor está proibido de fazer horário não autorizado.

    Em paralelo, buscando alternativas, tentei transferência para o CPD do Banco do Brasil, no bairro Anchieta, em Porto Alegre. E para me qualificar, fiz curso na PUC-RS de análise e programação Fortran e Cobol. Curso este que, anos mais tarde, evoluiu para Ciências da Computação.

    Eu já estava providenciando a interrupção da matrícula quando chegou a notícia de que o Sr. Policarpo foi transferido para Gramado e, em seu lugar, viria um tal de Luiz Carlos Guimarães. Não perdi tempo e no primeiro dia em que Guimarães assumiu adentrei em sua sala e abri o jogo, lembrando que logo ele teria acesso a sua fé de ofício (prontuário), saberia de sua história e por isto queria que soubesse que a única coisa que almejava era poder estudar. Guimarães prometeu analisar o assunto.

    Passaram-se alguns dias de silêncio e eu até já pensava que não havia conseguido algo útil, quando fui chamado pelo Sr. Guimarães que me propôs bater 40 fichas por hora de trabalho (os atuais borderôs de cobrança, que são emitidos por computador e que só existem no Brasil), descontadas eventuais fichas com erros. Eram cinco vias em papel carbono, que datilografava, espaço a espaço, em máquinas Remington elétricas. Aceito o desafio, rapidamente desenvolvi habilidades para datilografar as 240 fichas. Às vezes, sob demanda, 320 o que me rendiam mais 2 horas extras.

    Só que este modelo de trabalho, por tarefa, logo criou um padrão e outros colegas foram pleiteando. Em poucos meses todas as fichas eram batidas por tarefa. E como havia centenas de fábricas e fabriquetas do ramo de calçados que vinham se estruturando (Azaléia, Strassburger, Beira Rio, Reichert, F.Xavier Kunst etc), o volume diário era significativo.

    Vivia-se o apogeu da repressão sobre contestadores do modelo de governo em vigor, mas na realidade, exceto quando interagi, no Rio de Janeiro com os movimentos de rua, na Cinelândia,  em 1968,  no dia-a-dia não se percebia nada disto. Isto porque as notícias eram de lado a lado: terroristas assaltando e matando e forças do governo os reprimindo. Era uma guerra, ainda que a moda fosse chamá-la de guerrilha!

    Mantivemos as viagens anuais que faziam parte de um plano feito por Jussara e eu para levarmos os filhos a conhecer todo o Brasil. Inicialmente em ônibus e depois em carros, Fusca e Passat. Finalmente em avião, na última vivência da categoria, que incluiu Manaus.

    A partir daí, as crianças passavam o ano às voltas com as revistas quatro rodas, estruturando programas, enquanto Jussara e eu ficávamos fazendo as contas/economia.

    O primeiro experimento, com carro, aconteceu para Foz do Iguaçu/Puerto Stroessner. Hoje Ciudad del Este, com barraca presenteada pela Colega de estágio na Melanie Klein, Clarice, cujo irmão, que faleceu em acidente de avião, havia construído a dita. Naqueles anos barracas estruturadas só as contrabandeadas, visto que importações eram proibidas e no Brasil não as produziam.

    A partir do trajeto para Recife, saindo de Porto Alegre dia 29 de dezembro e entrando o ano novo na praia de Boa Viagem, incorporamos a companhia de Nédio e Rosana, com seu Chevette. Foram anos de muito aprendizado através do que cada um via e escutava. Assim, rodamos de Porto Alegre para Recife, Belém, São Luiz, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Salvador, Porto Seguro, Vitória,  Cuiabá e todo o litoral do Rio de Janeiro e litoral norte de São Paulo.

    Esse período perdurou cerca de 8 anos , com forte repercussão no meu desempenho profissional futuro. Além de um especial desfrute de amizade entre nossos filhos e o casal Nédio-Rosane, que serviam de identificação para ambos. Especialmente para Sérgio-Nédio.

    Mas no final dos anos 1960 e começo dos anos 1970 ainda nada se percebia no dia-a-dia no RS, em termos de repressão e ameaças:  Jussara embarcava no ônibus comum para a cidade de Sapiranga onde retomou o segundo grau em Escola Normal, eu seguia também em ônibus comum, de Hamburgo Velho (bairro de Novo Hamburgo) para Porto Alegre e dali, em outro, para a PUC. Na volta, a colega Argia Hubner, quase sempre, me dava carona até o centro de Porto Alegre, o que significava mais de uma hora de economia no trajeto.

    E os filhos, Sérgio e Márcia, então com 7 e 6 anos, iam sozinhos, a pé, para a Escola Estadual Antonio Vieira e depois para a Escola Polivalente na mesma região, distantes cerca de 3 km de casa. Andava-se normalmente pelas ruas, as crianças iam e voltavam a noite do clube Aliança, sem serem molestados por qualquer motivo, movimento ou autoridade.

    Na PUC eu já recebia influência de dialéticas propostas por alguns professores. Especialmente os Professores Irmão Danilo (nem lembro bem o título da matéria) por suas correlações a respeito da evolução dos pensamentos filosóficos e científicos ao longo da história; José Finn (sociologia) por sua habilidade em conectar teorias com o cotidiano; Prof. Capaverde por seus esforços em colocar a psicologia do trabalho em um lugar (empresa) que quase ninguém sabia como e quando; Prof. José Olinto por suas aulas práticas de Dinâmica de Grupo e Walmor Piccinini pelos alertas que passava sobre a terceira idade.

    Em 1971 a agência do Banco do Brasil de Novo Hamburgo mudou de local e alguns processos foram alterados. Sr. Guimarães, sempre ousado para a época, me chamou e ofereceu uma tarefa que consistia em visitar empresários para conseguir adeptos para o cheque especial do Banco do Brasil, que foi pioneiro no segmento.

    Com metas diárias a tarefa foi fácil, mas logo um inspetor ficou sabendo que eu ia para a rua com papéis timbrados do Banco, o que foi considerado por ele como falta gravíssima. Resultado: outra advertência. No caso, felizmente, em nível verbal e regional.

    Então Guimarães me disse: quero abrir a agência às 10h com todos os lançamentos de todas as fichas de conta corrente lançadas e conferidas. Havia uma média diária de 800 lançamentos feitos em uma máquina eletromecânica National, no começo da manhã e que – claro – nunca estavam totalmente prontos às 10h. Era uma versão moderna do que usava no Banco da Lavoura, dez anos antes.

    E em mais uma experiência metafísica, Sr. Guimarães deixou cair um molho de chaves ao lado da minha cadeira, o que significaria uma senha de acesso, pois nessa época não havia guardas noturnos no prédio do Banco. Eu então chegava de Porto Alegre por volta das 20h30, ou mais, entrava sozinho na Agência da Praça Júlio de Castilhos e ganhava o expediente, na tarefa que realizava em torno de 3 horas: fazer 720 lançamentos, descontados erros. E a cada 120 lançamentos, a mais, sob demanda, recebia uma hora extra!

    Saía da agência entre 23h e 1h do dia seguinte. Às vezes mais, por erros nos lançamentos. E subia à pé a Rua Joaquim Nabuco (grande subida, que os gaúchos chamam de lomba) até nossa casa. Não havia mais ônibus nem eu tinha dinheiro para táxi.

    E assim foi, até entrarem em operação os computadores, quando esta tarefa terminou.

    Já no começo de 1972 fiquei sabendo de um tal de estágio de psicopatologia na divisão Melanie Klein do Hospital Psiquiátrico Estadual, São Pedro, em Porto Alegre.

    Tratava-se da unidade de residência médica da UFRGS, para certificação de médicos psiquiatras, e se iniciavam algumas experiências com interação com psicólogos e enfermeiros, dentro da especialização em saúde mental.

    Os alunos da psicologia, em geral, temiam o processo seletivo porque, segundo eles, a chefe do serviço de psicologia, Sueli Brunstein, seria muito rígida. Um terror, segundo voz corrente!

    O estágio era diferenciado e fui aprovado junto com as colegas, Maria Luiza Santos (Lula), Magda Herbert, Jussara Severo, Clarice e Ana Cristina. Sueli e alguns médicos nos supervisionavam tecnicamente e ela viria a ser uma das psicólogas que mais influenciaram minha formação e perfil profissional.

    Em paralelo, formamos na faculdade um grupo que denominávamos de o Clube do Bolinha, por estar composto por todos os homens da classe: Nédio Seminotti, José Dirceu Cauduro, Cláudio Arnecke, Eu e… a Luluzinha: Lula. Havia um Canadense, Guy, que não frequentava todas as cadeiras, por isto não se incorporava a este grupo.

    Foi um período muito produtivo, onde se discutiam os conteúdos das classes e as experiências que cada um mantinha em estágios. Todos os integrantes deste grupo dependiam de trabalho remunerado para se sustentar e pagar a faculdade, ao contrário da maioria das colegas da classe. Cláudio vendia calendários, e para tanto usava um fusca através do qual muitas vezes ganhei carona para chegar mais rápido ao Banco do Brasil, em Novo Hamburgo.

    E dois destaques históricos: Lula que viria a se tornar minha amiga predileta e que, mais adiante, incluiria seu marido, Flávio Oliveira e Nédio, por longas parcerias em experiências transculturais e, recentemente, retomando teses e modelos para práticas de psicologia.

    Ainda da convivência na Divisão Melanie Klein, recebi muita influência dos psiquiatras Sérgio Machado, professor da UFRGS e mais tarde Presidente do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, por sua disponibilidade para ensinar, com afeto e disciplina. De Rogério Aguiar e do Diretor, David Zimmermann, por suas capacidades para manter a identidade da Instituição. Tudo isto teria forte influência anos mais tarde, quando decidi pela especialidade organizacional.

    O estágio, extracurricular, valia como aprendizado e status, mas o modelo era muito profissional. Rígido para os padrões de hoje: entrávamos às 8h ficávamos até às 12h, durante o ano letivo. Intercalando atividades junto aos pacientes (que chamavam de socioterapia porque psicólogo não podia praticar psicoterapia) nos pátios, entre centenas de psicóticos, misturados com oligofrênicos, lesionados cerebrais etc.. Porém a partir de determinado número de faltas o estagiário seria desligado. Mas tudo com supervisão de qualidade, estudos (seminários) e reuniões clínicas.

    Pelo que acompanho atualmente, inclusive no hospital onde trato de um câncer no pâncreas, esse processo de estágio esteve muitos graus acima do que usualmente se pratica hoje, na área de saúde.

    Mas a pressão emocional, na convivência com os pacientes em suas peregrinações pelos pátios do hospital me levou para a primeira experiência psicoterápica, com Juarez Guedes Cruz.

    E no Banco do Brasil… terminaram as atividades por tarefas. Mas aí eu já havia conquistado status de um quase psicólogo – raro na época – e me passaram uma tarefa de separar a noite (por cores) o conjunto de borderôs que chegavam às centenas, diariamente, para cobrança perante as indústrias locais. Nesta tarefa, muitas vezes – secretamente, claro – meus filhos iam me encontrar no Banco, vindos dos treinamentos no Clube Aliança e me ajudavam, as dividindo comigo. Como minha vida havia melhorado e pude comprar um fusca velho, depois da tarefa nós os 3 subíamos a lomba da Rua Joaquim Nabuco para casa, felizes.

    Atenção: Por primeira vez este trabalho infantil, clandestino, é registrado publicamente.

    Já na Divisão Melanie Klein, dentre esses estagiários alguns eram selecionados para permanecer mais um ano, então no estágio curricular, de Clínica, formal. Fui selecionado e embora a faculdade exigisse apenas 200 horas de estágio nessa área (mais 200 na escolar e outro tanto na empresarial), na Divisão Melanie Klein a carga compreendia um ano de estágio, de março a dezembro. Era pegar ou largar.

    Por razões econômicas, exaustão física e desgaste familiar, tive de declinar da oportunidade. Mas as relações ali estabelecidas me permitiram um convite para estagiar – também ao longo de um ano – na Unidade de Saúde Estadual na cidade de Novo Hamburgo.  Tudo muito light em relação à experiência na Melanie onde, frequentemente, só me permitia duas a três horas de sono:  o estágio na Unidade de Novo Hamburgo era ao lado do Banco do Brasil e perto de casa!

    Ali fui conviver com outro profissional que produziria uma forte influência em minha formação e perfil:  O médico psiquiatra Claudio Maria da Silva Osório, depois professor titular da UFRGS.

    Especialmente por sua disponibilidade para romper paradigmas. Enquanto – digamos – 90% dos profissionais ficavam protegidos em consultórios, íamos os dois encontrar pacientes em favelas (hoje comunidades) para orientar familiares e acompanhar o uso das medicações in loco. Mas também e – principalmente – por sua habilidade, às vezes um tanto sádica, de correlacionar os textos que estudávamos com as condutas cotidianas das pessoas. Inclusive nossas.

    A respeito desses estágios, cabe reforçar as duas experiências, na Divisão Mellanie Klein e na Unidade de Saúde em Novo Hamburgo. Na Mellanie pelo modelo e conteúdos aportados por Suely Brunstein e na Unidade de Novo Hamburgo pela disponibilidade e coragem para experimentar de Cláudio Maria da Silva Osório.

    Ambos foram parte de estudos – pioneiros – e aplicação de técnicas, no Brasil, relacionadas ao que se chamava atendimento familiar, fora da instituição e do consultório.

    Isto é, nos domicílios das famílias e locais de trabalhos dos pacientes e familiares, integrando equipes técnicas formadas por profissionais de diferentes especialidades. Foram longos períodos de exercícios de negociação para desenvolver habilidade e alcançar o melhor ponto possível, nestas abordagens.

    Estes exercícios, de correlacionar, também viriam a ter fortíssima influência no meu perfil profissional, depois retomados na convivência com Jorge Chapiro.  Tudo revisitado depois do segundo processo analítico com Maria Mello.

    Essa experiência, de praticar a profissão no campo, foi decisiva na atuação dentro da Psicologia Organizacional, em relação ao padrão usual, ainda hoje praticado, para profissionais da área.

    Embora muito bem aceito entre os psicanalistas, cujo grupo predominava no meio clínico da elite no RS, percebi que até completar a formação clínica e me viabilizar economicamente já estaria me aposentando no Banco do Brasil. Isto porque, nesses anos, eu já portava Carteira Profissional com quase 20 anos de registro.

    Ao contrário da voz e postura corrente, a formação de um psicólogo, como de um médico especialista, não se completa com menos de 5 ou mais anos depois de formado. Mais ainda se estivermos tratando de clínica. Fora o custo consequente.

    Em clínica é necessário intenso trabalho junto a diferentes demandas e patologias, o que exige forte investimento em movimentações físicas, supervisão e terapia/análise.

    Em organizacional, dependendo da trajetória de cada formando, os tempos que se demandava e demanda são diferentes. No meu caso o caminho  poderia ser significativamente encurtado, dada minha vivência de quase vinte anos em Empresas e Instituições de porte. Com algum investimento em estudos econômicos-mercadológicos-sociais e supervisão, traçaria um percurso mais rápido. Então fui reduzindo o investimento emocional rumo a área clínica e procurando alternativas na área Organizacional.

    Chegamos então a outubro de 1973 e um anúncio no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre: Seminário de Desenvolvimento Organizacional sob a tecnologia 3-D, tecnologia da Managerial Effectiveness, conduzido pelo Prof. Jorge Chapiro. Pessoa esta que iria produzir uma das três maiores transformações em minha vida, pessoal e profissional. Ele russo, naturalizado argentino e residente em Buenos Aires, casado com a alemã, psicóloga, Edith Deutsch de Chapiro.

    O investimento no seminário consumiria o próximo 13º salário e a gratificação de janeiro. Por este motivo foi necessário uma reunião familiar para decidir a respeito.

    Durante o evento se estabeleceram vários embates entre eu e Jorge, a respeito de conceitos, autores e – principalmente – aplicabilidades dos conceitos. Terminado o evento, pensei: com tanta briga, acabou por aqui. O russo nem vai querer me ver novamente!

    Mas, ao contrário, 3 dias depois foi chamado na Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos do RS para um encontro com Jorge Chapiro. Ele apreciara minha segurança nos embates teóricos e nas correlações com o cotidiano, por isso me convidou  para outro seminário, o Seminário de Eficácia Gerencial 3-D.

    Fui obrigado a declinar, por absoluta falta de dinheiro, pois o preço da inscrição era de US$ 350 (lembrem-se de que existe inflação em US$…). Sabedor do fato, Jorge ordenou que me dessem uma bolsa, o que foi uma solução parcial: de onde extrair o dinheiro para me hospedar no Hotel Samuara, em Caxias do Sul, onde aconteceria o evento durante seis dias?

    A solução, em surdina, foi levar barraca, acampar no mato e pagar somente as refeições. Também porque depois dos trabalhos em grupo ainda dava um pulo a Novo Hamburgo no meu fusca, há cerca de 100 km, para cumprir minha tarefa no Banco do Brasil.

    Nesse período, chegou minha transferência para o CPD do Banco do Brasil, mas abri mão por já estar preparando minha saída.

    Ainda em 1973 minha irmã Enilda, com nosso pai diagnosticado com mal de Parkinson, trouxe ele e a mãe, com mais dois irmãos adolescentes, para morar perto dela, na cidade de Campinas. Na época ela informou a família que a casa oferecida para eles seria dada em comodato, o que depois não se confirmou.

    Finalmente, me graduei em julho de 1974, portando mais de 1.200 horas em estágios e uma dezena de cursos de extensão, devidamente certificados por Universidades e Entidades renomadas (carga horária e avaliação final segundo normas legais).

    Eu nunca gostei de cerimônias deste tipo, mas… informaram-me que era obrigatória, para ser graduado. Em vista disto, a solenidade, realizada na reitoria da PUC-RS, contou com a presença de Jussara, Sérgio, Márcia e Nédio.

    Logo após a graduação em psicologia, fui cedido pelo Banco do Brasil S/A para a Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos do RGS, onde deveria atuar no convênio com a Managerial Effectiveness do Canadá para introduzir os Seminários 3-D. Projeto que não avançou como previsto, retornando ao Banco do Brasil onde, de imediato, pedi licença não remunerada.

    E já em 1975 conquistei meu primeiro título de Pós-Graduação (latu sensu): Dinâmica de Grupo, pela SPRGS, estruturado pelo SEDIGREH. Nesse mesmo ano fui convidado por Jorge Chapiro, o Jorge, a integrar a Chapiro Internacional, Consultores em Desenvolvimento Organizacional Ltda, empresa que acabara de fundar com Francisco Antonio Pisa, o Pisa, na cidade de São Paulo. Mas devido a residência e meu perfil, o domicílio fiscal foi definido como Porto Alegre, RS.

    No segundo semestre deste ano fui iniciado no treinamento para instrutor do Seminário 3-D, Seminário de Eficácia Gerencial, popularmente conhecido como SEG 3-D. Seminários esses, intensivos, centrados em modelos de liderança situacional e definição de papéis a partir de uma ótica sistêmica e não a descrição do cargo que era a prática mais comum. Minha habilitação foi instrumentada e supervisionada por Jorge e Edith, de quem me tornei grande admirador, por sua delicadeza no trato interpessoal e aguçadas habilidades intelectuais. Mas o seminário era tudo muito focado nas pessoas, como solução de todos os problemas das Organizações. Era a tônica na época e ainda predomina em várias correntes da psicologia.

    Até 1977 os SEGs-3D estiveram divididos entre os Hotéis Samuara, em Caxias do Sul, e Pavani, em Serra Negra. Depois estendido para Bucsky em Nova Friburgo e substituído Pavani por Majestic, em Águas de Lindóia. Para os seminários eu viajava no sábado e voltava na sexta.

    O SEG 3-D se iniciava na tarde de um domingo e terminava após o almoço de sexta feira, em tempo integral. Pisa se encarregava da área comercial mas também estava em treinamento como Instrutor. Com a ajuda de Jorge, Pisa conseguiu que deles participassem CEOs de Empresas como AEG, CESP, CTC, TELERJ, FRAS-LEE, ISABELA, MARCOPOLO, NORTON, TELERJ, TELMA, TELEMAT, TELAMAZON, entre dezenas de outras Empresas.; Vice Presidentes, Diretores e Gerentes destes e de Grupos Empresariais, como AEG, CAEMI, ELETROBRÁS, ITAUSA,  PETROBRÁS, TELEBRÁS, dentre outros.

    Para as demais atividades, eu viajava desde Novo Hamburgo, nas segundas feiras, via Varig, para São Paulo. E voltava sexta.

    Para quem, há menos de um ano, viajava em ônibus comum, comia sanduíche preparado na véspera, que passou a se hospedar em Hotéis como Hilton São Paulo e fazer refeições no La Casserole, foi uma transformação que abalou toda minha escala de valores. Minha e de minha família.

    Por influência então dos primos e dos tios (adolescentes) que moravam em Campinas, SP, Sérgio, Márcia, Jussara e – em particular Sérgio – pleitearam a transferência do RS para o Estado de São Paulo. Assim, em fevereiro de 1977 nos mudados para Campinas, SP, passando a me dedicar – exclusivamente – a Chapiro Internacional, na filial de São Paulo. Ali alcancei os cargos de Diretor Administrativo-Financeiro e, posteriormente, Diretor Técnico.

    Iniciou-se então uma nova fase familiar. Fomos morar no bairro Cidade Universitária, próximo a UNICAMP. Os filhos passaram a estudar, em outro contexto, em escolas particulares. E Jussara aproximou-se da cunhada, Enilda, iniciando uma nova fase de postura doméstica e social.

    Em uma nova etapa de absorção de tecnologias, todo o sistema de som na nova casa foi centralizado e, dentre os comandos remotos (via fio) estava o abajur do quarto do casal, através do qual se comandava – com mãos ou pés – volume, troca de receiver para música via k7 ou toda discos de vinil. Exceto no quarto de Sérgio, que mantinha equipamentos próprios, cada peça tinha seus alto falantes e opções de comando para a central.

    Em novembro desse ano, fui a Amsterdã para a convenção anual dos licenciatários 3-D. Foi também minha primeira vivência no velho continente. Aproveitei e transitei  por Barcelona, Madrid e Lisboa. Como meu domínio da língua inglesa é muito limitado, contratei uma intérprete credenciada pela embaixada brasileira, que me assessorou nas questões comerciais que envolviam a Chapiro e a Managerial Effectiveness. Pagávamos 22% de royalties sobre o faturamento bruto, em US$, e ainda produzíamos o (caríssimo) material. Impensável atualmente!

    Já habilitado como Instrutor do SEG, e bem aceito pelos clientes, iniciei o treinamento para conduzir os módulos que se sucediam ao SEG-3D. O mais oferecido  tinha a sigla em espanhol de LRE-Laboratório de Rol de Equipo.

    Tendo como pré-requisito a participação de todos os integrantes no SEG, formava-se um  grupo de Presidentes e Diretores ou de cada Diretor com seus subordinados diretos, de determinada Empresa ao longo de dois dias, em um Hotel remoto – e de luxo – para discutir questões estratégicas.

    Durante todo o tempo o Consultor ficava ao largo fazendo anotações a respeito do comportamento de cada um e, ao final, dava um feedback individual, começando pelo integrante de maior hierarquia no grupo.

    Jorge tinha carisma, conhecimento a respeito de estruturas, sistemas decisórios e narcisismo suficiente para assumir a tarefa. Logo nas primeiras experiências percebi que eu apenas conseguiria o conhecimento… Mas segui em frente, sem nunca ter tentado efetivar tal proeza!

    Em paralelo, desde 1973 continuava a acumular outros certificados, através de cursos de extensão em Universidades de Instituições consagradas, nacional e internacionalmente. Incluindo teses inovadoras como Técnicas de Intervenção em Organizações Complexas (FCM), Planejamento Estratégico, Reengenharia, dentre outros.

    Destaque-se aqui Cibernética Aplicada às Organizações, com a presença do próprio criador do modelo de cinco sistemas, professor Stafford Beer e Jorge Chapiro, integrador.

    Nessa época, o livro de  Stafford, Brain Of The Firm foi gentilmente traduzido por Jorge e Edith Chapiro para o espanhol e assim permitir que eu tivesse acesso a teses sistêmicas então revolucionárias (Brain Of The Firm – Beer, S – Peguin Alan Lane, London, 1972) . Estes conceitos me permitiram  desenvolver, década depois, modelos de diagnósticos organizacionais que – rapidamente – ofereçam análises de origens de disfunções, se de controles, de processos produtivos ou de comportamento.

    Ainda nesse período, fui membro de comissões organizadoras, apresentei trabalhos e dirigi congressos nacionais e internacionais, incluindo conferências magnas. Alguns com conteúdos pioneiros e ainda hoje polêmicos. Com assessoria de imprensa contratada, publiquei artigos na revista Exame, nos jornais Gazeta Mercantil, o Estado de São Paulo e mais adiante no Jornal Valor Econômico. Além de várias entrevistas e artigos em jornais regionais.

    E um novo desafio produzindo nova experiência: a pedido do então Presidente da Norton, Paulo Povedano, passei a ajudar os executivos que vinham dos USA a se aclimatarem na cultura brasileira/sul americana. Décadas depois a atividade foi consolidada sob o nome de Coaching!

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 1970-1980?

    • Que o que se diz ser do governo, na verdade é nosso.
    • Que aprendi a diferença entre quem pratica a profissão de psicólogo dentro de um consultório, ou sala de gerência, e quem vai a campo. Vivenciando o ambiente e os sentimentos das partes que se influenciam e transformam.
    • Que a vivência em uma fábrica, loja, na direção de um caminhão ou passando horas diante de um teclado, em relação as macro-decisões. Dentre outras.
    • Que, dadas as características estruturadas ao longo de minha vida, dificilmente conseguiria transmitir percepções de forma análoga ao que Jorge conseguia.
    • Que se pode incorporar comportamentos diferentes diante de pessoas bem mais eruditas, requintadas socialmente do que eu.
    • Que era possível vender serviços para alto nível, visto que minha experiência só estava relacionada a mercadorias. Os bancos eram vistos como uma necessidade.
    • Que a assessoria individual era uma oportunidade para se destravarem programas de Desenvolvimento Organizacional, mas que o preconceito de então dificultava: um executivo ficar em uma sala fechada, com um psicólogo, não era bom sinal. Iniciava-se aí uma atividade de coaching.
    • Que D.O., como era conhecido, tendia a não se consolidar porque se focava nas pessoas e não no equilíbrio empresa-mercado. Que é quem sustenta as Organizações, mesmo as chamadas de sem fins lucrativos.
    • Que, após interação com S.Beer, J. Chapiro, as tese de R.Winer e H.Maturana, o melhor era retirar de meu vocabulário a palavra certeza. Foi o que fiz, substituindo-a por convicção.
    • Que a palavra verdade era uma expressão que representa determinado momento de nossa capacidade perceptiva e de aceitação de uma certa cultura.  Retirei-a de meu vocabulário, também, substituindo-a por sobre o que posso perceber hoje.

     

     

  • A estruturação de modelos próprios para desenvolvimento de líderes e de empresas.

    Criação, a consolidação de técnicas para intervenção produzindo autocontrole e desenvolvimento de pessoas e grupos. Transformando minha vida pessoal e familiar.

    Na passagem da década de 1970 para a de 1980 se iniciou meu desenvolvimento para acumular a função de Consultor, tendo então estruturado meu primeiro processo de sucessão em Empresa Familiar. Quando este nome ainda não era usado desta forma, comercialmente.

    Tratava-se de uma família constituída pelo fundador, cinco filhas mulheres e um homem. Uma solteira e os demais casados. Claro que, na época, ao homem cabia a responsabilidade de conduzir o negócio e… sustentar a família toda. Mas… e sempre há um mas, era o período de grande influência de Beth Friedmann e as mulheres resolver quebrar a história.

    Dadas minhas vivências com Cláudio Osório, especialmente compartilhando atividades no ambiente da pessoa ou grupo, desde cedo portava um diferencial para atuar na área. A literatura era rara, mas pude enfrentar o desafio.

    Em 1982, já na posição de Diretor Técnico da Chapiro Internacional, assumi a direção da equipe que desenvolveu e estruturou o Seminário de Princípios de Gestão, mais  conhecido como SPG.

    Ele aportou toda a experiência na instrumentação e dinamização de grupos acumulada na mais de centena de Seminário 3-D, incorporando o modelo sistêmico de Stafford Beer, complementado pelo Modelo Dual de Papéis de Jorge Chapiro, as análises de mercado de Francisco Pisa e novas abordagens comportamentais estruturadas por mim.

    O primeiro teste foi vendido por Pisa e feito sob encomenda, para a Minerações Brasileiras Reunidas, pelo Eng. Antonio Carlos Seara.

    Suas aplicações permitiram o desenvolvimento do sucessor do SEG 3-D, que foi o Seminário de Tecnologia de Gestão. STG, lançado no mercado em setembro de 1984, onde permaneceu até 2014. Nos últimos dez anos, aberto ao público somente no Hotel Majestic, em Águas de Lindóia.

    Era um período de grandes transformações no mercado de serviços de Desenvolvimento de Executivos e uma das primeiras aplicações de nosso STG, que atualmente só está disponibilizado para aplicação in company, aconteceu para as Empresas dirigidas por Antonio Carlos Seara, Livio Guida e José Theoto.

    O STG atualmente encontra-se na versão XI e dele já participaram mais de 2.000 gestores, entre CEOs de Empresas como CAMBUCI/PENALTY, CIMBAGÉ/SERRANA, COPESUL, 18COMUNICAÇÕES, ELEKEIROZ, HORTIFRUTI, Mais tarde estendidas a cerca de uma centena de outras.

    Através dos estudos para esta estruturação, quatro conclusões sobressaíram e ainda permanecem atuais:

    • A primeira que permite diferenciar, com segurança, comportamento intrínseco ao indivíduo, sua personalidade e caráter, e a consequência de condicionamento circunstancial por parte do desenho estrutural da Empresa-Instituição. Especialmente de seus sistemas e processos usados nos controles.
    • A segunda, através do conceito de Papel Básico proposto por Jorge Chapiro, que influi significativamente nas relações interpessoais por se deixar de usar controles sobre o que está ou deveria estar sendo feito, tecnologias usadas etc. Usando essas propostas, somos levados a concentrar o foco em o que resulta para o sistema. Poucas pessoas aguentam!
    • A terceira, de que muitos comportamentos de líderes são avaliados apenas a partir de suas características e personalidade enquanto, na maioria dos casos, são resultantes de posturas a que foram compelidos por consequência de sistemas de controle inadequadamente desenhados.
    • A quarta, passando a focar no(s) mercado(s) escolhido(s), visto que é(são) ele(s) os únicos que podem manter a Empresa/Organização em operação. Mesmo, como já citamos, quando se trata de uma chamada organização social ou sem fins lucrativos.

    Enquanto isto, no âmbito de seminários 3-D, fui recordista mundial na condução deles, ao ultrapassar a marca de 100 eventos, em 1983.

    Ainda no começo dessa década um novo cliente, por suas posturas e disposição – ainda hoje, na prática, rara – para inovar, iria ter grande influência em minha carreira: Livio Guida.

    Ele chefiava uma fábrica de cimentos, em Apiaí, SP, para a Camargo Corrêa S/A quando aprovou uma proposta da Chapiro. Mas logo assumiu um cargo na Serrana de Mineração (então Grupo Bunge) e levou o contrato junto.

    A questão de Seminário top management estava equacionada perante clientes e mercado. Mas o que fazer depois? Estruturamos então, Jorge e Eu, o sucessor do LRE que foi designado como ELO – Estruturação Lógica Operacional. Inclusive com registro da marca no INPI que permaneceu até a virada do século. Como eu já tinha assumido que não tinha perfil para passar feedbacks onipotentes, criei uma metodologia que transferia ao próprio grupo essa tarefa.

    A aplicação da técnica exigia uma cuidadosa preparação do grupo, porque na hora encarar o chefe maior era sempre difícil. Mas graças ao meu aprendizado na primeira especialização – grupo – funcionou. E bem.

    Aplicamos em várias estruturas organizacionais, com destaque na preparação da Serrana Cimentos para a venda para a Cimpor, sob a liderança de Luiz Carlos Fernandes.  Tudo se refletindo diretamente na avaliação do negócio, que ao vender agregou mais de US$ 100 mi.

    E nas operações estratégicas – em sequência – a cargo de Marcelo Chamma.

    Outro destaque desse período foi a convivência com José Theoto. Inicialmente como participante do SEG-3D quando ele ainda era supervisor de vendas da Norton S/A e mais tarde, quando se tornou presidente. Com Theoto, como era chamado, aprendi a precificar produtos em lançamentos, remunerar – com autonomia – equipe de vendas. E como lidar com a concorrência, a partir do retorno dos investimentos feitos para tanto.

    Depois, já com ele sob o comando do Grupo Saint Gobin, aprendi técnicas de avaliação de empresas a partir de seus mercados, considerados como principal ativo. Foi um foco diferente de tudo o que antes havia aprendido.

    Então, no início dos anos 1980, sob as premissas do modelo de Stafford Beer, através da TEKOWAM, que sucedeu a Chapiro, estruturamos e desenvolvemos modelos de governança corporativa, que na ocasião recebiam o rótulo de direção colegiada. Isto porque era muito difícil de explicar e praticar o conceito de Sistema Três, de Stafford Beer (direção geral-operacional). As experiências que, acredito, merecem registro nessas tentativas foram da Copesul, Norton e CTC.

    Só recentemente, como o conceito de Supply Chain, este modelo pode ser aplicado de uma forma mais palatável para os responsáveis pela operação cotidiana da Empresa. E na absorção teórica e prática do conceito, merece destaque a influência que tive mais tarde, de Marcelo Kolanian.

    Em meio a essa década, fiz o primeiro retorno em processo psicoterápico, com Maria Mello Azevedo através de grupo terapêutico que ela estruturou, em parceria com outro psicólogo, Rubens. Dessa experiência então inédita, restou uma amizade pessoal e uma relação profissional que perdura até hoje. Com Mihoko Kasuya.

    Nesse mesmo período, um fato novo provocou um realinhamento de minhas abordagens e técnicas: convidado por três Diretores, jovens, que o conheci em seminários e na TELMA, fui trabalhar na reestruturação da TELEMAT. Essa empresa ocupava o antepenúltimo lugar no ranking das TELEs, de pouco mais de 20 integrantes e em menos de dois anos já estava entre as dez melhores. A crença e o ideal motivavam mais do que a remuneração que recebiam seus diretores. Mesmo eu absorvendo provocações e ameaças, que incluíram despachos na porta do quarto do Hotel onde ficava hospedado (4 estrelas) em Campo Grande, MT, mantive-me, suportado por minha resiliência.

    Na época havia conflitos de interesses na divisão dos dois estados de MT e se a Companhia continuasse se destacando, provavelmente só restariam duas promoções para aqueles jovens Diretores: Top no Ministério das Comunicações ou na TELEBRÁS. Claro que este não seria o único motivo, mas foi o suficiente para que, em determinada segunda-feira foi informado que a Diretoria havia sido demitida e o nosso contrato cancelado. Isto me produziu um ciclo de depressão que só foi superado quando decidi estudar política, na UFB.

    Na recuperação, um novo perfil profissional se consolidava em mim, passando a destacar, sempre, aspectos políticos no contexto decisório onde, nem sempre, as decisões estão condicionadas a determinadas lógicas ou fundamentos.

    Já na função de consultor, desenvolvi projetos de estruturação, reestruturação e/ou de reposicionamento estratégico para Empresas privadas como ELEKEIROZ, ITAUTEC, LACHMANN, LOGOS Pró Saúde, MBR, NORTON e para estatais como COPENE, COPESUL, ELETROSUL, ITAIPU BINACIONAL, TELMA, TELEMAT, TELAMAZON, dentre outras.

    Outro destaque em minha trajetória são as experiências na área de TI, com trabalhos feitos por quase 20 anos para empresas de vários segmentos. Comecei pela então Diretoria de Sistemas do Banco Itaú, durante o período que resultou na criação da ITAUTEC. Depois, na própria ITAUTEC, posteriormente no Banco ABN-Real.  Sempre vinculado aos projetos e sonhos de Carlos Eduardo Correa da Fonseca, o Karman, como era mais conhecido. Esta parceria está gravada na dedicatória que ele me firmou em um exemplar da obra Tecnologia Bancária no Brasil – Uma história de Conquistas, Uma Visão de Futuro, qualificando-me como um dos responsáveis por esta história.

    Recentemente voltei ao segmento, através do Conselho de uma fornecedora de sistema para operadoras em logística.

    Através dessas experiências nas áreas de TI, desenvolvi técnicas para a introdução de processos de automação que me colocam em destaque no segmento, culminando na estruturação de modelo capaz de pré definir os principais pontos de controle, a partir da estratégia proposta para a empresa, modelo para sistema de gestão de RH, dentre outros.

    Ou seja, know how para definir e especificar um core system para cada negócio.

    Nesse mesmo período, outro livro, El Arbol del Conocimiento  – Maturana R.; Varela F. (Editorial Universitária. Santiago, 1984), me marcou por deixar claro uma das variáveis que mais influenciam decisões: a confusão que no cotidiano as maiorias das pessoas fazem entre aprendizado abstrato e aprendizado de fato.

    Maturana demonstrou, através daquela obra, que o homem é o único animal capaz de confundir capacidade narrativa com conhecimento. Ou seja, um professor de geografia, em Brasília, pode ensinar com eficiência sobre natureza, sem nunca ter conhecido uma praia!

    Esta obra, tanto quando Brain Of The Firm, reforçaram a importância das vivências com Cláudio Osório: há que interagir com o objeto do trabalho, em seu habitat. Conforme explicitou Maturana, na natureza conhecimento é sinônimo de fazer, não de descrever.

    Afinal, em termos de informação da base, percepção do clima e relação cúpula-pessoal da base, nada mais eficaz do que compartilhar um café de garrafa na entrada de uma fábrica, um lanche na esquina da loja, uma conversa ao lado de uma cabine, etc.

    Outra variável que influenciaria minhas percepções e abordagens foi a viagem a Cuba. Nos anos 1970 eu já  havia tentado visitar a Ilha, via Argentina, pois desde o Brasil não era permitido. Mas em 1988, em uma das primeiras excursões liberadas, lá me fui, em um DC10 da Varig, especialmente fretado.

    Eu já não tinha mais a ilusão juvenil a respeito de regimes socialistas, mas mantinha uma grande expectativa, sob perspectiva positiva.  O rótulo para a viagem do grupo era um Congresso de Psicanálise Marxista, algo que na prática seria incongruente. E além de minhas percepções a respeito do assunto, eu era o único integrante do grupo, entre mais de cem brasileiros, que iria se hospedar sozinho.

    No início frequentei com rigor a programação do congresso e estava encantado com o padrão de ensino e saúde que as guias mostravam. No sétimo dia comecei a me perguntar no quarto do hotel: é possível existir algo tão perfeito? Pois bem, a partir daí me afastei do grupo e comecei uma convivência com famílias que moravam na cidade velha.  Fui ainda a Santiago de Cuba, em um avião militar usado como carreira, e as praias de Varadero e Cáio Largo.

    Na praia de Varadero propiciei a uma das meninas da família com quem estava mais próximo, um passeio de motoneta. Cubanos não podiam alugar este tipo de veículo e como eu loquei, foi uma experiência deslumbrante para ela.  Durante essa estada, fui procurado por Ineida Aliatti que trazia uma mensagem de Cláudio Osório, a respeito de um provável trabalho.

    Pois bem, como Ineida foi sorteada para dormir no mesmo quarto do que Vera Blondina Zimmermann, a troca de cartões entre nós foi mera consequência. Mas como eu estava mais interessado em interagir com a população local do que qualquer outra opção, não dei seguimento a estes e outros contatos, bem como o da psicóloga argentina Marta Brizio que, década depois, veio a ser pessoa muito próxima, afetivamente. Sob outro trajeto.

    Procurando estrangeiros no grupo, conhece uma psiquiatra uruguaia que, dias depois, a encontrei em interações íntimas com uma psicóloga cubana no quarto do Hotel. Destaco o fato porque o homossexualismo, como em geral nos países ditos socialistas, era reprimido em Cuba em 1988!

    Mas esta simples troca de cartões, entre Eu e Vera, viria a criar condições para outra transformação na minha vida, na década seguinte. Fique registrado então que em 2002, ao encerrar as atividades no escritório de Porto Alegre, encontrei um bilhete que deixei para meu sócio, Pisa, grampeado ao cartão de Vera: quando vieres a Porto Alegre chama essa colega para jantar. Ela é muito inteligente e a conversa será construtiva. É…

    De Cuba trouxe um ensaio fotográfico que não deixou dúvidas de como era a vida nesse país, em fevereiro de 1988, até hoje guardado. Infelizmente a máquina fotográfica estava com defeito e as fotos têm problemas de foco, por isso não promovi exposição aberta. Só para amigos.

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 1980-1990?

    • Que a palavra entender em nada se correlaciona com ações e práticas no dia-a-dia (Maturana).
    • Que a palavra conscientizar também resulta em zero de transformação. A maioria dos fumante e alcoólatras – para citar apenas dois males legais e socialmente aceitos – sabem dos incovenientes, mas continuam a praticá-los!
    • Que deletei as palavras entender e conscientizar de meu vocabulário.
    • Que o conceito de Papel Básico, quando praticado, transforma o modus operandi das relações interpessoais. Ele nos demonstra que o próximo sub sistema só receberá alguma influência do que estamos produzindo quando entregamos um resultado. Tudo o que se se faz (que depende da tecnologia disponível, cultura, forma de pensar etc. que varia no tempo e espaço) pouca relevância tem.  Ao me desinteressar por argumentos e justificativas, tudo afetou minhas interações conjugais, familiares, sociais e profissionais. Não foi fácil!
    • Que, com a fundamentação aprendida na faculdade, no pós-graduação e nas vivências com continuados grupos de executivos, ser possível desenvolver modelos nacionais para trabalhos instrumentados em top management.
    • Que os grupos, quando devidamente instrumentados, podem assumir funções capazes de produzir autotransformação espontânea.
    • Que a força de uma Instrumentação para tarefas, particularmente  para altos executivos, podem gerar o autocontrole necessário para a autonomia/descentralização. Muitas das teorias que aprendi na especialização em Dinâmica de Grupo começavam a ganhar práticas, com ajustes.
    • Que vários modelos em processos de sucessão em empresas familiares podem ser úteis, pelo que produzem em si. Não há modelo ideal.
    • Que os trabalhos de estruturação e reestruturação (então chamados de reengenharia) eram mais eficazes e mais fáceis de serem suportados pelos integrantes da Empresa (particularmente – claro – pelos que seriam dispensados) se mantidos em paralelo com  atividades de grupo e suporte individual. Depois rotulado e descaracterizado sob o conceito de coaching e outplacement.
    • Que menosprezar os aspectos políticos, que são os que mantêm a identidade de uma organização, pode invalidar teses e propostas que trariam grande benefício ao bem comum.
    • Que, com a constituição de 1988, se criaram mercados cativos para as Fundações das universidades, o segmento de seminários tenderia a condensação e cartel. Fui incentivador das atividades da Fundação Getulio Vargas, especialmente na TELEMAT, mas já consciente dos efeitos desse cartel sobre o mercado em geral.
    • Que o socialismo é uma utopia. Depois fundamentado por conhecimentos de sistemas em geral e ecossistemas em particular. A natureza não contempla mecanismos biológicos condizentes com as teses desta filosofia.
    • Que o socialismo era um regime que só conseguia se manter sob fortes ditaduras. Justamente por contrariar forças da natureza.  E, registre-se, ainda era o período pré queda do Muro de Berlim!
    • Que as questões atualmente chamadas de gênero, são universais e independem de facilidades ou dificuldades. Dependem mais de escolhas e coragem do que de qualquer outra variável externa.
    • Que atividades de assessoria individual, depois catalogada como coaching só seriam eficazes se incluíssem o que passou a denominar de engenharia política: criei então a designação de personal development.
    • Que se poderia traduzir todas as tecnologias e técnicas incorporadas, através de um Seminário Nacional: Em conjunto com Jorge Chapiro e Francisco Antonio Pisa, criamos o STG – Seminário de Tecnologia de Gestão para top management, que permaneceu – sob versões evolutivas – durante mais de 20 anos no mercado.

     

     

  • Reorientando a vida pessoal, profissional e política.

    O início do vôo solo!

    Com a intensificação de um novo ciclo de globalização, assumido parcialmente pelo Brasil a partir do Governo Collor e com minhas limitações relativas ao idioma inglês, no início da década de 1990 passei a me dedicar – prioritariamente – às empresas familiares. Usando a minha experiência e, principalmente, os conhecimentos e formação em atendimentos familiares negociações e intermediações adquiridos na Divisão Melanie Klein e na Unidade de Saúde de Novo Hamburgo.

    Mas essa década também se iniciou conturbada para mim, no âmbito pessoal: 1991 foi o ano em que decidi me separar de Jussara, então com 30 anos de casamento quase completos, com muitas realizações: dois filhos maravilhosos; 3 casas construidas; coragem para romper o vínculo com um emprego estável (Banco do Brasil); virada de papel/imagem dentro da familia dela; dois cursos superiores, sendo eu Psicologia (o primeiro com terceiro grau, entre os filhos de Armando-Ignez) e ela Pedagogia (a primeira filha de Henriqueta); levar os filhos a conhecer o Brasil (eles só não chegaram ao AC, RR e AP) . Tenho a convicção de que – ao menos – metade do tempo em que estivemos casados tivemos excelentes trocas. E tanto foi uma relação com elevado saldo positivo, de certo modo referência, que fomos padrinhos em 13 casamentos!

    Raros foram os que entenderam as razões e as consequências de tal decisão mas, dentro de mim, havia um desejo de preservar tudo de bom que construímos, visto que olhando para a frente só percebia aposentadoria e acomodação. Aposentadoria justa, porque era o que havíamos contratado enquanto namorados, mas… eu passei por grandes transformações e rasguei o contrato!

    Neste mesmo ano interrompi o processo analítico com Maria Mello (cerca de 9 anos, com intervalos) e da sociedade na Tekowam/Chapiro, com Jorge e Pisa (17 anos).

    Tudo agravado, emocionalmente, porque no segundo mês do ano de 1992, quando Jorge e eu  havíamos combinado de negociar com Francisco, este foi diagnosticado com câncer no intestino.

    Mas o clima entre nós sempre foi muito positivo, o que  permitiu uma negociação que até surpreendeu o contador da Empresa em São Paulo e – principalmente – permitiu a preservação da amizade até a morte dos dois primeiros. Por conveniência dos três sócios, adquiri o quinhão de cada um deles na casa da Rua Costa Jr. Excelente local, mas demandando reformas.

    Já Jorge e Francisco cederam, gratuitamente, a marca TEKOWAM (que em tupi guarani significa gente-futuro) para mim. Como cada um dos três, separadamente, poderia ir ao mesmo cliente oferecendo serviços paralelos, criei o Consórcio Empresarial TEKOWAM. Depois expandido a outros colegas.

    Todos esses processos avançaram pelo primeiro semestre de 1992 adentro. Especialmente o profissional, visto que nunca antes imaginara tentar um voo solo! Em muitos momentos pensei que havia encerrado sua carreira.

    E mais um fenômeno metafísico acontece em sua trajetória, logo no início desta década: A aproximação, interação e início de parcerias produtivas e duradouras com a Colega Maria Ester Soares.

    Maria Ester, ou Teleca como era mais conhecida, aproximou-se de mim através de outra colega, Maria Helena Veronese, então parceira/sócia da Agência Recorde, do Rio de Janeiro. Agência esta que foi o primeira brasileira a se dedicar ao serviço de head hunter porque até então só existiam agências de emprego, Ainda hoje representando o maior volume de oferta.

    Maria Ester é uma psicóloga com perfil raríssimo: se vale de consistente fundamentação psicanalítica, sem perder o foco nos clientes e mercados que estão condicionando aquela situação, que está se constituindo no objeto de seu trabalho. Isto lhe permite intervenções seguras, compreendendo como poucas, mas sem se valer de interpretações. Resgatando potenciais de pessoas e grupos como poucos conheci.

    A aproximação profissional com Maria Ester me inseriu no processo que ela conduzia para os sucessores do Grupo Lachmann, então guindados a posições de comando por ausência trágica do patriarca e sua esposa, junto com principal cliente, em viagem aérea.

    Com base nessas propostas, evoluímos na estruturação de modelos singulares de governança, com destaque para aqueles em que pôde capitalizar as experiências dela, Maria Ester, a partir dos primeiros anos da década de 1990.

    Juntos e em paralelo, propusemos e implementamos modelos em empresas familiares que só recentemente puderam ser apresentados em grandes eventos internacionais voltados a sucessão familiar, como grandes novidades.

    A partir dessa parceria, foram vários modelos testados, desde o estágio em áreas, até vivências acadêmicas sofisticadas, com herdeiros assumindo funções de trainee em grandes corporações, depois frequentando MBAs. Alguns até fazendo carreira nelas, antes de assumir posições em empresas da família.

    Em decorrência dessas atividades, em Empresas familiares, dei forma e integrei diversos Conselhos de Administração, em empresas de diferentes segmentos, como navegação, construção civil, materiais esportivos, alimentos e outros. Conselhos esses formais, de S/A de direito (com ações na BOVESPA), ou resultantes de acordos entre sócios, negociados e formalizados através de seu trabalho. Em algumas Empresas, sob a parceria de Maria Ester Soares.

    Jussara havia se mudado para uma casa nova em Vinhedo, que aportei como parte de nosso acordo. Restava a mim a interação dentro de minha residência, em Louveira, dentro de 24.500 m2 de área, com um casal (com 3 filhas) de suporte e um cachorro vira-latas!

    No final do ano de 1992, incentivado por meu filho e nora de então, admiti que estava no mercado e, outra vez, algo metafísico: de uma cadernetinha de endereços manuseada em Curitiba, selecionei três nomes que só depois percebi que eram todas de descendência alemã. Estava feito o link com sua infância em Rio Grande, particularmente de sua relação com Vovó Pudindi (Leopoldina) e sua fiel guardiã, Olga.

    Pois o primeiro nome para quem liguei foi Vera Blondina Zimmermann, em São Leopoldo… a do cartão em Cuba!

    Vera desfrutava uma condição muito favorável no circuito São Leopoldo-Porto Alegre. Com clínica muito bem requisitada e atividades na UFRGS que lhe propiciavam desafios e status. Além disto, seus filhos estudavam em uma das melhores escolas do RS de então, o Sinodal, onde o pai deles trabalhava como professor.

    Consolidou-se entre nós uma paixão avassaladora, culminando em uma transformação de vida, objetivos e vivências antes – inconsciente – desejadas, mas até então não assumidas. Tudo se transformou em nossas vidas.

    No segundo semestre de 1993, já tendo decidido com Vera que passaríamos a viver juntos, na cidade de São Paulo, completei uma minirreforma no prédio da Rua Dr. Costa Jr, para criar condições para ela recomeçar suas atividades clínicas em um novo mercado. Ela, realmente, recomeçou ali e superou todas as expectativas de colegas e de alguns amigos que imaginavam que ela veio para São Paulo à procura de clientes, com minha cobertura, inclusive financeira. A econômica ocorreu, sim, consistente, mas a financeira ela sempre manejou e cobriu o que considerava necessário.

    Ela contribuiu decisivamente para meu realinhamento de sonhos e projetos e eu na mudança de foco das crianças e no padrão de higiene da família como um todo. 

    Nesse mesmo ano, de 1993, com respeito à sucessão familiar, evoluí e introduzi crianças menores de 9 anos e adolescentes nesses processos. Outro pioneirismo, valendo-me da experiência com Cláudio Osório!

    Ao longo de 1994, Vera me incentivou  ir para os USA aprender inglês. No segundo semestre decidimos alugar uma edícula em Atlanta e estudar na ELS. Para tanto seguimos para essa cidade, em 30.11.1994. Só que nos esquecemos que estávamos profundamente apaixonados, por isto o estudo do idioma ficou limitado ao mínimo necessário para não sermos reprovados.

    Depois seguimos em tour sócio-cultural por NYC, Philadelfia, Washington, New Orleans, Los Angeles e San Francisco. Dessa experiência, além do fascínio pela música em New Orleans, ficou marcada a visita ao Museu da Constituição Americana, na Philadélfia: de repente, eu estava diante de todos os princípios filosóficos da revolução francesa, que tão relevantes foram na minha formação. E que na França ficou na teoria

    Além disso, observar uma cultura que foi estruturada a partir de imigrantes que chegavam e pagavam para entrar, ao contrário da AL, onde eles eram trazidos para saquear ou como degredados. Tudo desafiador para raciocínio de colonizado ibérico.

    Por outro lado, nos USA interagi com um modelo de racismo muito diferente do brasileiro. Com destaque para pretos e chineses.  Modelo este que foi importado pelo Brasil a partir dos anos 2003.

    Foi emocionante!

    De volta ao Brasil, em 1995 ingressei no MBA-FIA-Administração Internacional, então vinculada à USP, que inclui um período de aulas e benchmark no exterior. Em minha turma, V, essas aulas foram ministradas na Vanderbilt University. Os principais benchmarks aconteceram na Federal Express (em Memphis) e na General Motors (projeto Saturno), nos USA. Conquistei o título através de monografia sobre a Constituição do Consórcio Empresarial TEKOWAM, na área do MERCOSUL.

    Dessa vivência, resultou, sob a liderança de Paulo Toledo, um grupo com afinidades que até hoje permanece. Além de alguns colegas que se transformaram em clientes, ao longo desses anos. E Paulo, amigo destacado e – digamos – cliente às vezes informal.

    E desse período, minha a inserção,  quase prematura (1995) como usuário de e-mail -internet,  o reconhecimento ao Amigo Paulo Toledo (BRISA), filho Sérgio Almeida Dias (FLEEX) e – recentemente – Rosana Lapenna (ARTYWEB).

    Em 1995, Vera e eu adquirimos um apartamento no prédio para onde viemos morar, em São Paulo. No mesmo bloco onde morávamos de aluguel. Mas o nosso sonho, desde namorados, era uma casa e construir algo para o trabalho, juntos!

    Aconteceu na segunda metade dessa década que fui chamado por Carlos Eduardo, o Karman, para assumirmos, juntos, um novo desafio: incorporação da área de TI pelo Banco ABN (então com cerca de 120 funcionários no Brasil) do Banco Real (então com cerca de 20.000 funcionários). Era um retorno a grandes corporações multinacionais.

    Embora Karman aspirasse que eu assumisse o projeto de ajuste cultural do banco como um todo, por questões estratégias fui me confinando a Vice Presidência de TI. Isto porque o Diretor de RH – por coincidência – era Fernando Lanzer Pereira de Souza, meu contemporâneo de faculdade e filho da uma de minhas principais orientadoras de minha carreira e instrumentadora de técnicas de grupo: Edela Lanzer Pereira de Souza.

    Nuncia identifiquei razões para resistência ao meu trabalho, por parte de Fernando. Até porque fui seu principal cabo eleitoral quando candidato a Presidente do Diretório Acadêmico na faculdade de psicologia. Mas a oposição era um fato e para poder contribuir fiquei restrito a área de TI.

    Em outubro de 1998 , Vera e eu nos casamos, formalmente. Ao contrário de meu primeiro casamento, com festa no Buffet França (ícone na época) e infraestrutura para receber amigos de 4 estados brasileiros. Foi um momento de emoção muito significativo porque o ritual, dela chegando para a cerimônia trazida pelos dois filhos ficou marcado em todos.

    E sobre atualizações tecnológicas, cabe registrar que em 1999, em parceria com Arquimedes Tecnologia, de Eduardo Scarabotto, desenhamos um core system para Empresa da área de Consumo que, devidamente documentado, evidencia proposta pioneira de B2B e B2C, simultâneo. Infelizmente esse projeto ficou restrito a essa documentação, hoje histórica, e disponível.

    No início de 1999, devido ao sucesso crescente na clínica de Vera, promovi uma segunda reforma no prédio da Rua Costa Jr, em São Paulo. Desta vez para criar uma área especial para ela, na clínica infantil.

    Mantive toda a infraestrutura nesse local onde Vera permaneceu com sua clínica por 15 anos.

    Em sequência, cumprindo desejo de voltar a salas de aula,  ingressei na Faculdade de Direito da Universidade Paulista, unidade Marquês de São Vicente, em São Paulo.

    Além de voltar a frequentar banco formal de cursos regulares, voltei a conviver – ao longo de 5 anos – com jovens com interesses díspares dos meus. Especialmente porque a maior parte da classe era formada de moradores da chamada periferia. Uma experiência muito rica que deixou alguns vínculos.

    Com destaque para o China, que cobria minhas ausências nas folhas de chamada (???) e o um grupo restrito (4) colegas, Marcelo Katz, Rogério Arbage e Renato Fabiano,  que permanece até hoje. Encontrando-nos e revendo posições teóricas, técnicas, políticas e afetivas. Envolvendo agora as famílias.

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 1990-2000?

    • Que é possível se abandonar um sonho, sempre que se tenha um substituto que aceitamos como mais adequado o tempo-espaço.
    • Que alçar vôos solo é muito mais difícil do que em bandos. Sejam de acadêmicos, de sócios ou de parceiros.
    • Que é possível se manter em voo solo, sob algumas vantagens, como desenvolver maiores habilidades de observação porque passa a inexistir quem lhe chama a atenção!
    • Que é sempre útil e saudável se voltar a um banco escolar.
    • Que um novo desafio, de grande porte, sempre nos faz lembrar o quão somos pequenos!
    • Que aprender de novo, praticando, é uma das melhores formas de se transformar o mundo.
  • Novos aprendizados e um período mais voltado para o núcleo familiar.

    Preparando a realização do sonho de namorados.

    A década se iniciou com a decisão de procurarmos uma casa e sairmos da clausura de um apartamento. Como sempre foi nossa preferência.

    Nós morávamos em frente a PUC-SP e Vera costumava caminhar no Bairro Sumaré, próximo. Algumas vezes olhamos casas juntos e a de nossa preferência tinha uma avaliação muito acima de nossas possibilidades financeiras de então.

    Mas contratada uma corretora, por indicação de cliente, passamos a conhecer e avaliar casas na zona oeste de São Paulo. Nada que nos agradasse!

    Até que um dia de maio, já em 2001, a corretora chegou no apartamento e nos disse: encontrei a casa. Entramos no carro dela e foi só entrarmos na Rua Varginha que já imaginamos qual seria. Avisamos que estava fora de nossas possibilidades, mas ela disse que a dona queria vender de qualquer jeito e que fizéssemos uma oferta.

    Vendemos o apartamento em duas horas, carros, casas no RS, etc, e ainda faltava um bom dinheiro para a época: R$ 100 mil. . Como não queríamos tomar financiamento imobiliário, fizemos uma proposta que decidimos encarar. E foi aceita.

    Ai, outra vivência metafísica: ao prepararmos a escritura, descobriu-se que o espólio, proprietário da casa, tinha uma pendência fiscal em Ubatuba. Consequência: a dona nos liberou o imóvel e… esperamos um ano pela liberação de tal documento. Neste período, juntamos metade do valor e o restante se tomou em um CDC.

    O imóvel dispunha de 1.200 m2 de área, metade da qual vazio. A casa, com cerca de 340 m2, oferecia várias árvores frutíferas, mato etc. Tudo a menos de 3 km da Av. Paulista! Assim, retomávamos ali o sonho de namorados, com a possibilidade de construirmos um espaço profissional para os dois, compartilhado.

    Vera já havia recuperado a autonomia econômica e tudo se traduzia em decisões unilaterais a respeito da decoração da casa: eu chegava e havia – por exemplo – trocado os móveis da sala sem que eu sequer imaginasse. Não disponho nas minhas relações de referencial – exceto nos casos em que o casal vive em casas separadas – mas me adaptei. Principalmente porque Vera tem muito bom gosto e nossa casa está sempre bonita.

    Minha contribuição se limitou a instalação de uma central de som e imagem, com tela retrátil e controle remoto único para acionamento de todo o sistema na biblioteca. O que foi desativado pouco tempo depois porque Vera preferia lidar com 3 controle remotos convencionais…

    E… dois anos depois de habitarmos a casa já estávamos com o projeto do consultório e escritório aprovado, para posterior divisão da área e construção do consultório-escritório. Pensando, mais tarde, em construir um espaço tipo apartamento para nós.

    Em paralelo, o curso de Direito, além de me propiciar uma nova visão da estrutura que se faz presente em determinada nação, me fez perceber que – profissionalmente – não cabe usar a palavra desculpa. Descobri que desculpa Foi introduzida a partir de determinada estrutura de poder, se valendo de um modelo religioso, visando estimular um canal de comunicação entre o poder e dia-a-dia do povo, com interlocutores devidamente perdoados para voltas as mesmas práticas e realimentar o ciclo.

    Mas adquirir o título de advogado não fazia parte de meus planos, quando decidi voltar aos bancos escolares. Buscava tão somente uma reciclagem, mas as expressões – particularmente fisionômicas – que observava entre clientes a respeito de ter estudado em uma faculdade considerada de segunda linha e a costumeira ambição de Vera, me desafiou a buscar o título.

    Mas como conquistá-lo, se nem havia feito estágios formais? Se apenas incorporei carga horárias através de atividades acadêmicas aos sábados?

    A solução que encontrei foi parar de trabalhar, por dois meses, e me inscrever em um cursinho. Uma experiência ainda não vivida. Fantástico!

    Lá ensinavam a passar na prova da OAB e nada mais. Mas eu não conseguia me enquadras no modelo e com uma semana antes da data da prova, fui chamado pela coordenação que me transmitiu literalmente: o senhor não conseguirá passar na prova. Ela me fez lembrar o Sr. André Notari, no Banco do Brasil de Arroio Grande!

    Essa fala foi suficiente para me levar a abandonar o cursinho, me recolher em casa e tentar assumir meu próprio estilo. Ainda que meu medo maior não era o de propor um modelo que, segundo a orientadora, seria rejeitado, se não que escrever com minha costumeira letra que ninguém entende…

    Foi um grande desafio, vencido em 2003. Na segunda tentativa em prova da OAB, conquistei o título de Advogado.

    Em 2008 efetivaram a divisão do terreno na Rua Joazeiro e iniciamos a construção do novo Consultório e Escritório para nós. Em novembro de 2009,  Vera mudou-se da rua Dr. Costa Jr.

    Em dezembro desse ano fui submetido a uma cirurgia para implantação de ponte de safena. Terminei vendo o Papai Noel de branco, no H-Cor!

     

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 2000-2010?

    • Que deletei a palavra desculpa de meu vocabulário.
    • Que sempre vale perseguir um sonho. Estruturar e preparar cada passo para que não se transforme em fantasia.
    • Que a palavra desculpa não deve ser usada nas relações profissionais. Não há sentido. Se houve algum erro, quem o cometeu deve apresentar formas de compensar a consequência.
    • Que desculpa se origina dos confessionários e provavelmente eram usadas para permitir que o desculpado, ou perdoado, voltasse a cometer erros semelhantes e depois viesse contar – novamente – algo a respeito. Esse método convinha para quem precisava de informações para manter o poder.
    • Que quando você desculpa, a pessoa que ganhou o benefício fica livre. Inclusive para cometer os mesmos erros. E quem fica com a culpa?
    • Que vários modelos em processos de sucessão em empresas familiares podem ser úteis, pelo que o processo escolhido produzir em si. Mas quando falta dinheiro para manter o padrão de vida esperado, todos eles se mostram ineficazes.
  • Novas experiências e descobertas, com introdução de novas abordagens e a consolidação do sonho.

    Em janeiro transferi meu escritório da Rua Dr. Costa Jr para a Rua Joazeiro: o único local que mantive como referência por mais de dez anos, em toda a minha vida. Mas a Costa Jr já estava inapropriada para estacionamento de veículos de clientes.

    Em junho de 2011, usufruindo do direito a reciclagem pelo MBA-FIA, acompanhei as turmas XXXIV e XXXV à China, onde as aulas foram na Tonji University e Lyon University, em Shanghai, Lingnan University em Guangzhou e vários benchmarkings na Whirlpool, Vale, PS Eletronics, Cherry, dentre outras.

    A esta vivência se seguiu a chegada de Vera naquele país e, juntos, fizemos um circuito de turismo. Eu havia estudado em Shanghai, Pequim e Guangzhou e nas duas primeiras repetimos turismo, seguidos de outras, como Xian e depois, fora da China, Hong Kong e Taiwan. O destaque do fora da China se deve ao fato de que ao sair para um desses lugares se cancelava o visto de entrada e não se podia voltar para a China Continental.

    Da China, destaque para Xian, cidade dos soldados de terracota, pelo uso de tecnologias sofisticadas a serviço de tradição e cultura deles e Taiwan, pelo acervo fantástico do que havia dentro da Cidade Proibida, levados por Chiang Kai-shek, onde atualmente só oferece prédios vazios para visitação.

    O que pude assistir nas aulas e apresentações e o que pude observar nos benchmarks e passeios turísticos transformou minha percepção da China e – principalmente – de seu futuro. Diferente da imagem que tinha, de grande produtora peças industriais de pouco valor agregado, conhecendo então um país que investe pesado em ensino, pesquisa e infraestrutura!

    Na volta permanecemos 3 dias em Dubai, onde pudemos observar o que significa uma cidade artificial: 80% da mão de obra, especialmente a qualificada, é composta de estrangeiros que não tem acesso ao núcleo de poder nem a convivência íntima com as famílias consideradas nativas.

    Mas continuava trabalhando e nessa época trabalhava para uma Empresa processadora de Vidros, onde a líder costumava contratar pessoas com potencial médio e depois as confinava em tarefas restritas. Através deste confinamento justificava a comprovação da incapacidade do contratado, mantendo um ciclo vicioso e lamentando não conseguir captar profissionais qualificados. Decidi então usar a técnica de espelho, ou seja, criar os meios para que ela repetisse a conduta perante eu e assim poder trabalhar alguma alteração nesse statu quo.

    Pois bem, a técnica não funcionou e meu contrato foi rescindido, interrompendo uma parceria e oportunidade de ajuda que poderia – como na maioria dos locais onde trabalhei – perdurar até se alcançar os objetivos centrais da proposta.

    Ao longo de 2012 negociamos, como casal, a construção de um apartamento nos fundos dos novos espaços profissionais. Iniciamos a obra em 2013,

    Em fevereiro de 2013, usufruindo do mesmo direito a reciclagem pelo MBA-FIA, acompanhei outras turmas, então à Índia. Onde as atividades aconteceram em Bangalore, Nova Delhi e Agra. As aulas foram na MDI-Gurgaon Management Development Institute, e benchmarkings, como na GE, Infosys (Capgemini) e R&D Investments, SKF, Suzuki-Maruti, em Bangalore, dentre outras.

    Muito impactado pelas diferenças sociais, consequência das inquestionáveis – para eles – castas, bem como pelo baixo grau de higiene em geral e os cuidados de segurança em particular, não usufruiu do aprendizado que gostaria. Mesmo com a ressalva do trajeto e das condições para se chegar em Agra, a interação com o majestoso Taj Mahal que me deixaram um impacto do que foi aquela cultura!

    Em 2014  nos mudamos para o apartamento, nos fundos de nossos espaços profissionais. Como já consolidado na cultura do casamento, Vera decidiu 80% da decoração e eu a funcionalidade. Funcionalidade esta que produziu, dentre outros, um sistema de levar as bagagens por içamento para o sótão onde construímos um apartamento para filhos e visitas. Depois um monta cargas que leva as cestinhas de supermercado (sob medida) diretamente para dentro da cozinha. Girador para os carros, de forma a não precisar sair de ré ou tentar manobrar na garagem. Por exemplo.

    Atualmente priorizo profissionalmente a representação (instrumentando o cliente ou atuando como seu preposto), em mediação (atuando como elemento neutro entre as partes) em processos relativos a associações, desassociações, fusões, parcerias e joint ventures em empresas familiares; consultoria a famílias em processos de sucessão não programada; processos de atualização ou fusão de culturas; definição de processos de automação; desenvolvimento de pequenas Empresas na área de prestação de serviços; instrumentação de negociações em processos de sucessão familiar, onde o diferencial está na explicitação das demanda de caixa que deverão existir em dez a quinze anos.

    Também centrado na Assistência Técnica Presencial a potenciais herdeiros, depois de se focar em números financeiros. Com ou sem instalação de Conselhos de Administração, e/ou Acionistas e/ou de Família (patrimonial).

    Formação/desenvolvimento de profissionais para trabalhar como autônomos e especializações, como a formação de Consultores e desenvolvimento pessoal, com arquitetura política. Este diferencial se explicita através de abordagens propostas em Personal Development, e do INDEEA.

    Meu pré-requisito – para assumir processos de sucessão, é centrar a meta nas exigências de disponibilidade de caixa para as famílias, numa perspectiva de 10 a 15 anos.  Afinal, família não vive de balanço. Vive de caixa, líquido.

    Em 2014 incorporei o primeiro projeto, nesta linha.

    Mas, uma vez aceito o desafio, acompanho os que estejam envolvidos no processo em atividades externas, capitalizando todo o aprendizado acumulado desde as experiências na Divisão Melanie Klein em Porto Alegre e no Posto de Saúde em Novo Hamburgo. Não me restrinjo mais a atividades em grupo, Conselhos, etc.

    Ao longo de 2015-2016,  Vera e eu participamos ativamente dos movimentos de rua no Brasil. Nem tanto por nos posicionarmos em determinada orientação filosófica-política porque – sabemos – em todas as hipóteses, somos massa de manobra. Mas, especialmente porque um fenômeno, para mim, estava marcando a história brasileira: o questionamento (o fim deve demorar algumas décadas) sobre as leis próprias para políticos, que aprendi nos primeiros anos de minha vida.

    Em 2017, já interagindo em novo projeto, estou podendo praticar a nova abordagem, centrada nas demandas de caixa.

    Agora, no mundo (ao menos de cultura chamada ocidental),  estamos em meio a uma transição no que diz respeito a informações (não confundir com conhecimento, conforme ensinou Maturana). As chamadas redes sociais transformaram nossa forma de acesso ao que desejarmos, o que não quer dizer que estejamos informados.

    Para estarmos informados é preciso, em primeiro lugar, que estejamos abertos a novas informações que, uma vez aceitas, passam a empurrar nossas certezas e verdades. Quantos de nós tem esta disponibilidade emocional e neurológica?

    Escuto críticas ao acesso de conhecimentos via instrumentos como  TED, por ser uma plataforma que só permite ideias rápidas e, consequentemente, superficiais. Mas seria o portal TED a causa ou ao contrário? Este portal dá acesso a pessoas que sempre estiveram e estão marginalizadas em termos de conhecimento ou absorve quem já tem o hábito de buscar informação com fundamento?

    A pesquisa do Instituto Pró-Livro, sinaliza que no Brasil temos uma dos mais baixos índices de leitura, per capita, do mundo. E se olharmos as estatísticas com olhares de Steven Levitt ou Nassim Nicolas Taleb? Será que os assíduos frequentadores do TED não representam uma evolução do percentual que não acessava nada?

    Outro fenômeno da transição atual que influencia meu trabalho é a mutabilidade das profissões. No caso brasileiro, com o preconceito consolidado na era Getulio Vargas segundo o qual só os pobres deveriam ser profissionalizados no segundo grau. A resultante deste modelo é escolas caras e de qualidade discutível no 3º grau. Os efeitos ainda não são percebidos porque o modelo ainda alimenta o status, resultante de interesses corporativos nas Universidades Públicas e econômicos nas demais.

    Tal qual nos países desenvolvidos, espero que a profissionalização saia do 3º para o 2º grau porque ali se formariam artesãos, com maior chance de mobilidade. E o terceiro grau, dada a demanda por mobilidade profissional? Creio que a tendência será a das Universidades voltarem às suas origens.

    E tenho a convicção de que ainda cabe citar a experiência atual, com Álvaro Castro. Ela tem muitas semelhanças com a experiência na MBR, com o Eng. Antonio Carlos Seara. Ele me provoca em desafios conceituais e históricos, o que reativa meu prazer em estudar, pesquisar e criar modelos alternativos. Lidar com empresário que gosta de estudar é sempre um desafio e se aprende muito.

    Finalmente, cabe registrar que em outubro desse ano de 2017  fui diagnosticado com Neoplasia Pancreática Maligna, o que me dava um prognóstico de pouco mais de seis meses de vida. Renovado depois a cada três meses, com o que em ainda estou trabalhando normalmente. Apesar de limitações físicas, especialmente para viagens.

    Este tipo de câncer foi o que levou a óbito Luciano Pavarotti, Steve Jobs, Carlos Eduardo (Karman), dentre outros famosos. Logo, não há muito que discutir!

    Qual a resultante, outra vez, metafísica?

    Encontros inesperados, especialmente resultantes do retorno de ex-clientes e colegas. No Espaço Jorge Chapiro (sala para trabalhos coletivos, no meu escritório e de Vera) acumulam-se dezenas de livros recebidos nos últimos 12 meses. Dificilmente conseguirei ler todos, mas assim como registrei impactos que recebi de outras obras, destaco o Antifrágil – coisas que se beneficiam com o caos – de Nassim Nicholas Taleb. (Best Business, 2018).

    Como consequência, um susto: desde outubro de 2018 convivo com um sentimento agradável e de grandes trocas. Afetivas e intelectuais porque foi ficando claro que é melhor receber todas estas manifestações em vida!

    Mantendo as atividades profissionais, com ajuda destacada de minha esposa Vera, dos filhos Sérgio, Márcia, Henrique, Ana, a adjunta Cristiane; do genro Cezar e nora Marilia e de nossa governanta, Nalva; dos irmãos Gilberto, Elaine e Nelson, sob a orientação técnica do Médico Oncologista Dr. Victor de Jesus, venho superando cada período-prognóstico, mas consciente que não há como reverter o quadro e a tendência.  Se não que postergar, dia-a-dia, meu fim anunciado.

    E em janeiro deste ano de 2019, Vera e eu completamos 25 anos de vida a dois, em São Paulo, iniciados em 25/01/1994. Casamo-nos formalmente em 1998. A proposta, desde 2014, era de se formatar um evento comemorativo na cidade de Pomerode, SC. Mas devido ao meu estado de saúde isto foi ajustado para uma festa intimista, apenas com os 4 filhos, genro, nora e neta. Infelizmente o genro e o neto que vivem em Madrid não puderam estar presentes, mas o ambiente serviu para ratificar uma conquista desse casal: a qualidade e afeto na convivência de nossos quatro filhos. Dois de cada um!

    E vale outro destaque: em 25 anos, que teve como ponto de partida os 54 de idade, adquirimos/construímos 3 casas; trabalhei na AR, UY e PY; completei o MBA-Internacional, o curso de Direito; estudei nos USA, China e Índia. Conquistei o título de Advogado e mudei três vezes o target de meu trabalho. Valeu!

    Atualmente trato de me adaptar a extinção dos notebooks, com os quais convivi, desde meu primeiro, Texas, adquirido com estímulo do Karman, em 1993!

    Ainda sobre Getulio, obtenha mais informações sobre as Empresas para quem trabalhou e trabalha clicando aqui.

    Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 2010-2019?

    • Que ainda estou rodeado de muitas avós como a minha, Marieta. Todos culpando tecnologias por falta de atitudes solidárias perante os outros. São pessoas que sempre seriam assim e que apenas encontraram um instrumento para se proteger. Está claro, para mim, o quanto evoluímos em todos os campos, desde os anos 1950.
    • Que sempre vale a pena lutar e construir um sonho renovado, ou substituído.
    • Que não se pode usar, generalizadamente, o conceito de Papel Básico. Como a maioria das pessoas o desconhecem, ou resistem a ideia de interromper discussões que não afetam resultados, os relacionamentos interpessoais ficam empobrecidos. Solução? Ainda estou buscando.
    • Que H. Maturana estava corretíssimo: confundimos capacidade de articular palavras com conhecimento. Didática com desenvolvimento de habilidades. Por exemplo, uma pessoa pode conquistar um título de Pós DOC em psicologia clínica sem nunca ter estado à frente de um paciente. Pode dissertar a respeito dos índios amazônicos, sem nunca ter visitado uma aldeia, etc. etc.
    • Que todos os dias podemos aprender mais, com a simples revisão do que praticamos ontem. As barreiras estão vinculadas aos nossos paradigmas que tendem a colocar nossa experiência na dianteira do experimento.
    • Que é preciso muito cuidado na experimentação de técnicas, quando estamos tratando com a(s) pessoas de maior poder, dentro da Organização.
    • Que nos processos de seleção, exceto casos específicos, cada vez importa menos o currículo. Tento identificar a capacidade do candidato se adaptar e construir soluções não pensadas, de preferência em grupo. Mas ainda não consegui uma linha para trabalho que possa considerar uma trilha.
    • Que aplicar técnicas ditas de coaching, sem uma concomitante engenharia política (forma de poder que dá identidade a determinada instituição) tende a produzir mais disfunções coletivas. Justamente por afetarem a relação de uma instituição com seu mercado, também no sentido filosófico que engloba instituições não lucrativas.
    • Que uma corrente que defende estruturar a empresa a partir do diálogo de seus líderes, sem pré definição (mesmo que através destes grupos) do objetivo mercado a ser conquistado, tende-se a repetir o que aconteceu com o D.O. (Desenvolvimento Organizacional), nas décadas de 1970-1980.
    • Que  estou convicto de que não se consegue um processo de sucessão familiar adequado, em Empresas, sem atuar e envolver os herdeiros e potenciais herdeiros sobre a geração de caixa futura. Antes, até com artigos publicados, entendia que as grandes corporações ficavam à margem desta variável, por poder contratar grandes escritórios de advocacia e de auditoria. Fatos passados, a que tive acesso, e presentes relacionados a um dos maiores grupos nacionais, comprovam a tese.
    • Que por primeira e segunda vez consegui efetivar um processo de sucessão em empresa familiar começando por levar os herdeiros a calcular as demandas de caixa para daqui a 10 e 20 anos. O resultado está sendo surpreendente, quer seja pela reação positiva (reconstruindo) quer seja delegando para os pais, por medo ou consciência da própria dificuldade para assumir o papel e gerar o caixa.
    • Que consolidamos modelos hipócritas para justificar ações ditas em benefício da sociedade, que mais persegue a consequência do que a causa.  Por exemplo, enquanto a classe média consumir drogas em larga escala, existirão traficantes. Se extinguirmos todos, hoje, amanhã eles serão repostos, com preços maiores porque o risco terá aumentado: Tem mercado, aparece fornecedor.
    • Que apesar de toda a liberação sexual, ocorrida a partir dos anos 1960, a prostituição e outras formas ditas rejeitadas pela sociedade, permanece como negócio sólido, em todo o mundo: Tem mercado, aparece fornecedor.
    • Que as Empresas, por pressão de mercado, vêm sendo compelidas a reduzir seus chamados benefícios. Há uma clara tendência na diminuição do paternalismo empresarial, estruturado desde quando se construíam casas em volta das fábricas. Na época, para garantir a fixação do operário especializado e – de preferência – garantir sua sucessão dentro da família. A rapidez com que as tecnologias foram transformando a realidade extinguiu este modelo.
    • Que em breve a sociedade, como vem ocorrendo nas Empresas,  será compelida a abandonar a proteção a diferentes infratores. Onde todos pagam para alguns poucos. Por exemplo, em determinada estrada há uma placa sinalizando que a velocidade não deve passar de 30 km/h, mas determinado cidadão entra a 80 km/h, ou mais. Acidenta-se e a sociedade paga uma fortuna para seu resgate, tratamento e – muitas vezes – sua aposentadoria. Mas quem cometeu a infração, este cidadão ao não respeitar a sinalização ou a sociedade que não instalou um limitador eletrônico em seu carro?  Etc., etc. Estas práticas, sociais, mobilizam recursos inimagináveis do cidadão comum, resultante de uma estrutura caríssima, que tem de ser operada por detrás. Desde a engenharia das instalações (guard rails, placas, sinalizações eletrônicas, equipamentos das guardas etc.) até a capacitação e disponibilidade 24h de guardas e socorristas. E, depois, outro tanto na ocupação da burocracia estatal e nos tribunais.
    • Que a psicologia, ou psicologismo, estruturado a partir dos anos 1960 ratificou uma ideia – equivocada – de que o homem não seria um animal que está submetido a leis da natureza, como os demais. Particularmente as neurociências vêm quebrando esta maneira de se estudar o homem no ecossistema.
    • Que a tendência das Universidades será a de voltar às origens. Ou seja, abandonar o modelo profissionalizante a que foram obrigadas a partir da revolução industrial. As mutações, criações e extinções de profissões está a requerer um nível de cultura e conhecimentos gerais que só o modelo antigo, centrado em ciências puras e saber, poderá aportar!
    • Que Alvin Toffler e seu Choque do Futuro tende a ser resgatado: o professor profissional (só ensina o que lê e não tem atividade prática, paralela) é um mal social.
    • Que a maioria das pessoas teve uma educação (ou doma????) muito positiva. Demonstra o que se convenciona chamar de boas índoles. Mas ainda há pouco respeito ao outro (postura social) no dia-a-dia. Particularmente, nós, brasileiros, que demonstram ser excessivamente individualistas.
    • Que a experiência deixou de ser útil, dada a velocidade das transformações. Se sobrou sabedoria, ótimo, se não, o mais útil é não tentar usá-la. É preciso se estar atento para construir e aprender a cada novo momento de vida.
    • Que a vida vale pelo que se constrói. É o que permanece. É o eterno. O que se diz se esvai ao vento!

    Finalmente, referência a clientes diante dos quais, com certeza, estarei fazendo omissões indevidas, mas também através dos quais aprendi e fui transformando minha maneira de conceber Organizações.

    Dentre eles clientes grandes, pequenos e, ainda, de minha cota de trabalho voluntário. Mas aceito o risco das omissões e promovo alguns destaques para agradecer aos que mais lideraram meus trabalhos dentro de Organizações, influenciaram e influenciam em minha forma de abordar, introduzir, criar técnicas e manter resiliência. Resiliência em particular nos casos de menor sucesso, quando o mais fácil seria fazer segundo padrão das grandes consultoria: produzir um relatório a respeito da parte que deixaram de fazer e desaparecer.

    Não estão consideradas as assessorias individuais – personal development. Entre os citados, há os que terminei ou continuo, com um resultado muito positivo, positivo ou negativo.

    Pela ordem predominantemente temporal:

    Paulo Povedano (Norton); José Theoto (Norton); Antonio Duphles do Amarante (EMBRATEL); Luiz Marcelo Moreira de Azevedo (CESP); Brenno Pacheco Borges (CTC), seguidos de seu filho Oscar M. P. Borges  e netos, Hélio Meirelles e Flávio Smith; Carlos Eduardo Correa da Fonseca – Karman – (BANCO ITAÚ-ITAUTEC-ABN); Reinaldo Rubbi (ITAUPLAN-ELEKEIROZ); Livio Guida (SERRANA-JARI CAULIM-PARÁ PIGMENTOS); Norberto Gomes Alves (TELMA-TELEMAT);  Eng. Schulmann e, especialmente, Júlio Cézar da Motta Meirelles (ELETROSUL-ITAIPU) Sérvio Tulio (TELAMAZON) Luiz Carlos Fernandes (SERRANA-CIMPOR); Antonio Carlos Seara (MBR); Roberto Estéfano (CAMBUCI); Gilberto Lopes (HORTIFRUTI); Basilio e Nelson Jafet (EVOLUÇÃO ENGENHARIA); Jussara Lopes (YARA-HANNA) e Hozana Bortolotto (ESTRELA VIDROS).

    Sobre dezenas de parcerias com as áreas de RH, com profissionais com quem aprendi grande parte do que sei, simbolizo em cinco por terem se mostrado focados no negócio, nos clientes, e não apenas em pessoas:  Cândido Oliveira (TELMA);  Carlos Alberto Begnis (COPESUL); Helena Fantezia (EMBRATEL), Reginaldo Appa (ELEKEIROZ) e Virginia Drumond (ELETROBRÁS).

    Em tempos presentes, como clientes, já em outro segmento:

    Hélio e Flávio (CTC); Jorge Gouveia e Kleber Fernandes (SIMA); Angel Sala e Cecília  (ASSIST); Matilde Diniz  e Francisco Almeida (TRIEX); Álvaro Castro (VIVA-Fashion), seus filhos Andréia, Rafael e o informal, Paulo Toledo (BRISA). Os individuais estão omitidos aqui, por razões óbvias…

Importante destacar que todo este texto, incluindo nomes e datas, foram redigidos de memória. Exceção feita ao nome do Irmão Hugo que contou com a ajuda de Julio Steffen. Assim, eventuais erros já corrigidos, ou a corrigir por feedbacks de leitores-amigos, devem ser vistos como fenômenos de percepção.

GETÚLIO PONCE DIAS é o titular da Ponce & Associados, Presidente do Consórcio Empresarial TEKOWAM e membro do INDEEA.

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