2000 - 2010 - Novos aprendizados e um período mais voltado para o núcleo familiar.

Preparando a realização do sonho de namorados.

A década se iniciou com a decisão de procurarmos uma casa e sairmos da clausura de um apartamento. Como sempre foi nossa preferência.

Nós morávamos em frente a PUC-SP e Vera costumava caminhar no Bairro Sumaré, próximo. Algumas vezes olhamos casas juntos e a de nossa preferência tinha uma avaliação muito acima de nossas possibilidades financeiras de então.

Mas contratada uma corretora, por indicação de cliente, passamos a conhecer e avaliar casas na zona oeste de São Paulo. Nada que nos agradasse!

Até que um dia de maio, já em 2001, a corretora chegou no apartamento e nos disse: encontrei a casa. Entramos no carro dela e foi só entrarmos na Rua Varginha que já imaginamos qual seria. Avisamos que estava fora de nossas possibilidades, mas ela disse que a dona queria vender de qualquer jeito e que fizéssemos uma oferta.

Vendemos o apartamento em duas horas, carros, casas no RS, etc, e ainda faltava um bom dinheiro para a época: R$ 100 mil. . Como não queríamos tomar financiamento imobiliário, fizemos uma proposta que decidimos encarar. E foi aceita.

Ai, outra vivência metafísica: ao prepararmos a escritura, descobriu-se que o espólio, proprietário da casa, tinha uma pendência fiscal em Ubatuba. Consequência: a dona nos liberou o imóvel e… esperamos um ano pela liberação de tal documento. Neste período, juntamos metade do valor e o restante se tomou em um CDC.

O imóvel dispunha de 1.200 m2 de área, metade da qual vazio. A casa, com cerca de 340 m2, oferecia várias árvores frutíferas, mato etc. Tudo a menos de 3 km da Av. Paulista! Assim, retomávamos ali o sonho de namorados, com a possibilidade de construirmos um espaço profissional para os dois, compartilhado.

Vera já havia recuperado a autonomia econômica e tudo se traduzia em decisões unilaterais a respeito da decoração da casa: eu chegava e havia – por exemplo – trocado os móveis da sala sem que eu sequer imaginasse. Não disponho nas minhas relações de referencial – exceto nos casos em que o casal vive em casas separadas – mas me adaptei. Principalmente porque Vera tem muito bom gosto e nossa casa está sempre bonita.

Minha contribuição se limitou a instalação de uma central de som e imagem, com tela retrátil e controle remoto único para acionamento de todo o sistema na biblioteca. O que foi desativado pouco tempo depois porque Vera preferia lidar com 3 controle remotos convencionais…

E… dois anos depois de habitarmos a casa já estávamos com o projeto do consultório e escritório aprovado, para posterior divisão da área e construção do consultório-escritório. Pensando, mais tarde, em construir um espaço tipo apartamento para nós.

Em paralelo, o curso de Direito, além de me propiciar uma nova visão da estrutura que se faz presente em determinada nação, me fez perceber que – profissionalmente – não cabe usar a palavra desculpa. Descobri que desculpa Foi introduzida a partir de determinada estrutura de poder, se valendo de um modelo religioso, visando estimular um canal de comunicação entre o poder e dia-a-dia do povo, com interlocutores devidamente perdoados para voltas as mesmas práticas e realimentar o ciclo.

Mas adquirir o título de advogado não fazia parte de meus planos, quando decidi voltar aos bancos escolares. Buscava tão somente uma reciclagem, mas as expressões – particularmente fisionômicas – que observava entre clientes a respeito de ter estudado em uma faculdade considerada de segunda linha e a costumeira ambição de Vera, me desafiou a buscar o título.

Mas como conquistá-lo, se nem havia feito estágios formais? Se apenas incorporei carga horárias através de atividades acadêmicas aos sábados?

A solução que encontrei foi parar de trabalhar, por dois meses, e me inscrever em um cursinho. Uma experiência ainda não vivida. Fantástico!

Lá ensinavam a passar na prova da OAB e nada mais. Mas eu não conseguia me enquadras no modelo e com uma semana antes da data da prova, fui chamado pela coordenação que me transmitiu literalmente: o senhor não conseguirá passar na prova. Ela me fez lembrar o Sr. André Notari, no Banco do Brasil de Arroio Grande!

Essa fala foi suficiente para me levar a abandonar o cursinho, me recolher em casa e tentar assumir meu próprio estilo. Ainda que meu medo maior não era o de propor um modelo que, segundo a orientadora, seria rejeitado, se não que escrever com minha costumeira letra que ninguém entende…

Foi um grande desafio, vencido em 2003. Na segunda tentativa em prova da OAB, conquistei o título de Advogado.

Em 2008 efetivaram a divisão do terreno na Rua Joazeiro e iniciamos a construção do novo Consultório e Escritório para nós. Em novembro de 2009,  Vera mudou-se da rua Dr. Costa Jr.

Em dezembro desse ano fui submetido a uma cirurgia para implantação de ponte de safena. Terminei vendo o Papai Noel de branco, no H-Cor!

 

Quais marcas mais significativas foram consolidadas no ciclo 2000-2010?

  • Que deletei a palavra desculpa de meu vocabulário.
  • Que sempre vale perseguir um sonho. Estruturar e preparar cada passo para que não se transforme em fantasia.
  • Que a palavra desculpa não deve ser usada nas relações profissionais. Não há sentido. Se houve algum erro, quem o cometeu deve apresentar formas de compensar a consequência.
  • Que desculpa se origina dos confessionários e provavelmente eram usadas para permitir que o desculpado, ou perdoado, voltasse a cometer erros semelhantes e depois viesse contar – novamente – algo a respeito. Esse método convinha para quem precisava de informações para manter o poder.
  • Que quando você desculpa, a pessoa que ganhou o benefício fica livre. Inclusive para cometer os mesmos erros. E quem fica com a culpa?
  • Que vários modelos em processos de sucessão em empresas familiares podem ser úteis, pelo que o processo escolhido produzir em si. Mas quando falta dinheiro para manter o padrão de vida esperado, todos eles se mostram ineficazes.